Presbiacusia: Diagnóstico e Padrão Audiométrico em Idosos

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Homem de 75 anos apresenta dificuldade para entender as pessoas e ouvir televisão em casa. Nega otorreia, vertigem ou zumbido. AP: Hipertenso há 15 anos, em uso de medicação com controle adequado, diabetes mellitus, controlado com uso de medicação oral. Sempre trabalhou como motorista de caminhão. Exame físico: Otoscopia normal. Audiometria: Imagem a seguir. A hipótese diagnóstica é

Alternativas

  1. A) presbiacusia com perda auditiva condutiva bilateral, apresentando perda “em gota” em 6000 e 8000 Hz, na audiometria.
  2. B) perda auditiva induzida por ruído (PAIR), com perda auditiva condutiva bilateral, com “gota acústica” em 6000 Hz, na audiometria.
  3. C) presbiacusia, com perda auditiva neurossensorial bilateral, e perda descrescente “em rampa”, na audiometria.
  4. D) perda auditiva induzida por ruído (PAIR), com perda auditiva neurossensorial bilateral, descrescente, com “gota acústica” em 6000 Hz, na audiometria.

Pérola Clínica

Idoso com perda auditiva neurossensorial bilateral e audiometria 'em rampa' → presbiacusia, mesmo com histórico de ruído.

Resumo-Chave

Embora o histórico de motorista de caminhão sugira PAIR, a idade avançada (75 anos) e a descrição da audiometria como 'perda decrescente em rampa' são características clássicas da presbiacusia, uma perda neurossensorial bilateral e simétrica que afeta principalmente as altas frequências.

Contexto Educacional

A presbiacusia é a perda auditiva neurossensorial bilateral e simétrica relacionada à idade, sendo a causa mais comum de deficiência auditiva em idosos. Afeta a qualidade de vida, comunicação e pode estar associada a declínio cognitivo. Sua prevalência aumenta progressivamente com a idade, impactando uma parcela significativa da população acima dos 65 anos. A fisiopatologia envolve degeneração das células ciliadas externas e internas da cóclea, atrofia do gânglio espiral e alterações no córtex auditivo. Clinicamente, os pacientes relatam dificuldade para entender a fala, especialmente em ambientes ruidosos, e frequentemente pedem para repetir o que foi dito. A otoscopia é normal. O diagnóstico é feito pela audiometria tonal e vocal, que revela uma perda neurossensorial bilateral, simétrica e progressiva, com um padrão característico de 'rampa' descendente nas altas frequências. O tratamento da presbiacusia é principalmente com o uso de aparelhos de amplificação sonora individual (AASI), que melhoram significativamente a comunicação e a qualidade de vida. Em casos selecionados de perda severa a profunda, implantes cocleares podem ser considerados. É crucial diferenciar da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), que, embora também neurossensorial, apresenta uma 'gota acústica' em frequências específicas (3000-6000 Hz) na audiometria.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da presbiacusia?

A presbiacusia manifesta-se como dificuldade progressiva para entender a fala, especialmente em ambientes ruidosos, e para ouvir sons de alta frequência, sem otorreia ou vertigem.

Como a audiometria se apresenta na presbiacusia?

A audiometria na presbiacusia tipicamente mostra uma perda auditiva neurossensorial bilateral e simétrica, com um padrão descendente ('em rampa') nas altas frequências.

Qual a diferença audiométrica entre presbiacusia e PAIR?

A presbiacusia tem um padrão 'em rampa' nas altas frequências, enquanto a PAIR clássica apresenta uma 'gota acústica' (entale) em 3000-6000 Hz, com recuperação em frequências mais altas.

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