Preparo Pré-operatório na Cirurgia Bariátrica: Medidas Essenciais

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2020

Enunciado

Homem, 35 anos de idade, foi encaminhado ao Ambulatório de Cirurgia para tratamento de obesidade. Relata ganho de peso nos últimos 8 anos, tendo iniciado tratamento de Diabetes Mellitus tipo 2 e de hipertensão arterial no mesmo período. Refere, também, dificuldade para deambulação e dor nas articulações dos membros inferiores. Ao exame físico, peso: 120kg, altura: 1,70m, circunferência abdominal: 150cm. Abdome globoso às custas de panículo adiposo, aparelho respiratório e cardíaco sem alterações; De acordo com os dados do caso clínico, cite duas medidas preliminares de controle clínico a serem efetivadas no preparo para o tratamento cirúrgico.

Alternativas

Pérola Clínica

Otimização de comorbidades (DM2/HAS) + perda ponderal prévia = ↓ risco cirúrgico.

Resumo-Chave

O preparo pré-operatório para cirurgia bariátrica exige controle rigoroso de comorbidades metabólicas e redução do volume hepático para minimizar complicações intra e pós-operatórias.

Contexto Educacional

O preparo para a cirurgia bariátrica em pacientes com obesidade grau III (IMC ≥ 40 kg/m²) ou grau II com comorbidades é um processo multidisciplinar. A fisiopatologia da obesidade envolve um estado inflamatório crônico e alterações hemodinâmicas que aumentam o risco anestésico e cirúrgico. O controle da pressão arterial é vital para evitar picos hipertensivos durante a intubação e o pneumoperitônio. As diretrizes atuais enfatizam que a cirurgia não é apenas um procedimento técnico, mas parte de um tratamento metabólico. A estabilização das doenças associadas, como a hipertensão e o diabetes, reduz a morbidade perioperatória. Além disso, a triagem para deficiências nutricionais (como Vitamina B12, D e Ferro) deve ser iniciada antes da cirurgia, pois o procedimento (especialmente técnicas disabsortivas como o Bypass em Y de Roux) agravará essas carências.

Perguntas Frequentes

Quais os alvos glicêmicos recomendados no pré-operatório da bariátrica?

Para pacientes com DM2, recomenda-se atingir uma Hemoglobina Glicada (HbA1c) preferencialmente abaixo de 7,0% a 8,0% antes do procedimento. O controle glicêmico rigoroso reduz o risco de complicações infecciosas, melhora a cicatrização tecidual e diminui o tempo de internação hospitalar. O ajuste de antidiabéticos orais e, se necessário, insulinização temporária fazem parte dessa estratégia.

Por que a perda de peso pré-operatória é incentivada?

A perda de cerca de 5% a 10% do peso corporal total antes da cirurgia é fundamental para reduzir o volume do lobo esquerdo do fígado (esteatose hepática). Isso melhora o campo visual cirúrgico, facilita a retração hepática e reduz o tempo operatório, além de servir como um teste de adesão do paciente às mudanças dietéticas necessárias no pós-operatório.

Quais avaliações clínicas são obrigatórias no preparo?

Além do controle de DM2 e HAS, o paciente deve passar por avaliação cardiológica (risco cirúrgico), pneumológica (rastreio de apneia obstrutiva do sono), psicológica/psiquiátrica (exclusão de transtornos alimentares graves não controlados) e nutricional (correção de deficiências vitamínicas prévias).

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