Controle Glicêmico Perioperatório em Cirurgias Eletivas

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 58 anos de idade, com antecedentes de hipertensão arterial sistêmica bem controlada com enalapril, foi admitido para cirurgia eletiva de colecistectomia laparoscópica por causa de episódios recorrentes de cólica biliar. Ao exame físico, apresentou PA = 130 mmHg x 80 mmHg, FC = 78bpm, FR = 16 irpm, temperatura = 36,8 °C e SatO2 = 98% em a.a. Realizou exames laboratoriais com resultados dentro da faixa de normalidade, glicose = 110 mg/dL, ureia e creatinina normais, coagulograma normal, eletrocardiograma com ritmo sinusal, sem alterações agudas. Quanto à história cirúrgica, o paciente não possui histórico de cirurgias prévias. Ele relatou não ter alergias conhecidas a medicamentos. Considerando o caso apresentado, qual a abordagem mais apropriada para o preparo pré-operatório desse paciente?

Alternativas

  1. A) Prescrição de antibióticos de amplo espectro uma hora antes do procedimento.
  2. B) Administração de hidrocortisona para prevenção de resposta inflamatória exagerada.
  3. C) Jejum absoluto de seis horas antes da cirurgia.
  4. D) Monitoramento da glicemia perioperatória, mantendoa abaixo de 180 mg/dL.

Pérola Clínica

Paciente sem DM com glicemia pré-op normal → Monitorar glicemia perioperatória, manter <180 mg/dL.

Resumo-Chave

Mesmo em pacientes não diabéticos, o estresse cirúrgico pode induzir hiperglicemia. O controle glicêmico rigoroso no perioperatório, mantendo a glicemia abaixo de 180 mg/dL, é fundamental para reduzir complicações como infecções e cicatrização prejudicada.

Contexto Educacional

O preparo pré-operatório visa otimizar as condições do paciente para a cirurgia e minimizar riscos. Em pacientes hígidos ou com comorbidades bem controladas, como o caso apresentado de hipertensão, a atenção se volta para aspectos gerais e específicos que podem influenciar o desfecho cirúrgico. A colecistectomia laparoscópica é uma cirurgia eletiva comum, e o paciente em questão apresenta um perfil de baixo risco. Apesar de o paciente não ser diabético e ter uma glicemia pré-operatória normal (110 mg/dL), o estresse cirúrgico pode induzir uma resposta hiperglicêmica. Essa hiperglicemia de estresse é mediada por hormônios como cortisol, catecolaminas e glucagon, que aumentam a produção de glicose e a resistência à insulina. A hiperglicemia perioperatória está associada a um aumento do risco de complicações, incluindo infecções do sítio cirúrgico, disfunção imunológica, cicatrização prejudicada e eventos cardiovasculares. Portanto, o monitoramento da glicemia perioperatória e a manutenção de níveis abaixo de 180 mg/dL são cruciais para otimizar os resultados. As outras alternativas são menos apropriadas para este caso: antibióticos de amplo espectro são geralmente profiláticos e específicos para o tipo de cirurgia, não "de amplo espectro" uma hora antes; hidrocortisona não é rotina para prevenção de resposta inflamatória em cirurgias de baixo risco; e o jejum absoluto de seis horas é uma prática padrão, mas não a "abordagem mais apropriada" que se destaca como um ponto de manejo ativo para este paciente específico, que já tem uma glicemia limítrofe.

Perguntas Frequentes

Por que o controle glicêmico é importante no perioperatório, mesmo em pacientes não diabéticos?

O estresse cirúrgico pode levar à liberação de hormônios contrarreguladores, causando hiperglicemia. A hiperglicemia perioperatória aumenta o risco de infecções, retarda a cicatrização e piora os desfechos.

Qual o alvo glicêmico recomendado para pacientes cirúrgicos?

As diretrizes geralmente recomendam manter a glicemia abaixo de 180 mg/dL durante o período perioperatório, com alguns defendendo alvos mais estreitos (110-140 mg/dL) em situações específicas.

Quais são as outras recomendações importantes para o preparo pré-operatório de um paciente hígido?

Incluem avaliação clínica completa, exames laboratoriais básicos, jejum adequado (geralmente 6-8h para sólidos, 2h para líquidos claros), suspensão ou ajuste de medicações e profilaxia antibiótica quando indicada.

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