Feocromocitoma: Uso de Betabloqueadores no Pré-Operatório

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 43 anos, hipertenso, com feocromocitoma suprarrenal devido a neoplasia endócrina múltipla 2. Nesse caso, o tratamento de escolha é a ressecção cirúrgica do tumor.Quanto ao uso dos betabloqueadores, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) São os medicamentos de escolha para o controle da frequência cardíaca.
  2. B) São os medicamentos de escolha para o controle da PA antes da cirurgia.
  3. C) Devem ser sempre adicionados antes do uso de alfabloqueadores, isolados, para não desencadearem crises hipertensivas.
  4. D) Sempre devem ser associados ao uso de diuréticos, para não agravar a hipotensão postural causada pelos alfabloqueadores.

Pérola Clínica

Feocromocitoma: Betabloqueadores SÓ após alfabloqueio adequado (controle FC).

Resumo-Chave

No preparo cirúrgico do feocromocitoma, o alfabloqueio é a primeira e mais importante etapa para controlar a pressão arterial. Os betabloqueadores são adicionados APENAS após o alfabloqueio adequado, para controlar a taquicardia e arritmias, evitando o risco de crise hipertensiva por vasoconstrição periférica não oposta.

Contexto Educacional

O feocromocitoma é um tumor raro, geralmente benigno, que se origina das células cromafins da medula adrenal e produz catecolaminas em excesso. Sua apresentação clínica é dominada por hipertensão arterial paroxística ou sustentada, acompanhada de palpitações, cefaleia e sudorese. O diagnóstico e manejo adequados são cruciais devido ao risco de crises hipertensivas graves e complicações cardiovasculares. O tratamento definitivo do feocromocitoma é a ressecção cirúrgica. No entanto, o preparo pré-operatório é de extrema importância para minimizar os riscos. A primeira etapa e mais crítica é o alfabloqueio, que deve ser iniciado 7 a 14 dias antes da cirurgia para controlar a pressão arterial e expandir o volume intravascular. Medicamentos como fenoxibenzamina (não seletivo) ou doxazosina (seletivo) são comumente usados. Após o alfabloqueio adequado e o controle da pressão arterial, os betabloqueadores podem ser adicionados para controlar a taquicardia e arritmias cardíacas induzidas pelo excesso de catecolaminas. É imperativo que os betabloqueadores NUNCA sejam iniciados antes do alfabloqueio, pois isso pode levar a uma crise hipertensiva grave devido à vasoconstrição periférica não oposta. O manejo intraoperatório requer monitorização rigorosa e controle da pressão arterial.

Perguntas Frequentes

Qual a sequência correta de bloqueio farmacológico no preparo para cirurgia de feocromocitoma?

O alfabloqueio deve ser iniciado primeiro (geralmente com fenoxibenzamina ou doxazosina) para controlar a pressão arterial. Somente após o controle pressórico adequado, os betabloqueadores podem ser adicionados para controlar a taquicardia.

Por que os betabloqueadores não devem ser usados isoladamente no feocromocitoma?

O uso isolado de betabloqueadores pode bloquear os receptores beta-2 vasodilatadores, deixando a vasoconstrição mediada pelos receptores alfa-1 sem oposição, o que pode precipitar ou agravar uma crise hipertensiva.

Qual o objetivo principal do alfabloqueio no preparo cirúrgico do feocromocitoma?

O principal objetivo é controlar a hipertensão arterial e prevenir crises hipertensivas intra e pós-operatórias, além de expandir o volume intravascular para mitigar a hipotensão pós-ressecção tumoral.

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