Prenhez Ectópica Rota: Diagnóstico e Manejo de Emergência

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

J.H.S., 16 anos, G0P0A0, com atraso menstrual; apresentando dor em baixo ventre, adotando posição antálgica e discreto sangramento via vaginal. Realizou beta HCG na instituição com resultado positivo. Ao exame especular, colo com orifício externo fechado e pequeno sangramento em borra de café coletado em fundo de saco posterior. Ao exame físico, abdome distendido, descompressão brusca presente, e, ao toque bimanual, intensa dor em fundo de saco posterior, e útero intrapélvico. Paciente encontrava-se com queda do estado geral e mucosas hipocoradas. O exame de ultrassonografia demonstra imagem heterogênea em anexo esquerdo e líquido livre em cavidade abdominal. Sobre esse caso, é correto afirmar que se trata de

Alternativas

  1. A) provável abortamento incompleto, devendo-se realizar curetagem uterina urgente.
  2. B) abcesso tubo-ovariano, devendo-se iniciar antibioticoterapia com metronidazol e clindamicina domiciliar.
  3. C) provável prenhez ectópica rota, devendo-se encaminhar a paciente com emergência ao centro cirúrgico para lapatoromia exploradora.
  4. D) provável prenhez ectópica íntegra, devendo-se encaminhar a paciente para a realização de exame de imagem complementar e após isso definir conduta.
  5. E) um quadro de apendicite.

Pérola Clínica

Gravidez + dor abdominal aguda + sangramento + líquido livre abdominal + sinais de choque → Prenhez ectópica rota = cirurgia de emergência.

Resumo-Chave

A presença de beta HCG positivo, dor abdominal intensa, sangramento vaginal, sinais de irritação peritoneal e líquido livre na cavidade abdominal em uma paciente com queda do estado geral é um quadro clássico de prenhez ectópica rota, uma emergência cirúrgica devido ao risco de choque hemorrágico.

Contexto Educacional

A prenhez ectópica é a implantação do óvulo fertilizado fora da cavidade uterina, sendo a localização tubária a mais comum. A prenhez ectópica rota é uma emergência ginecológica que ocorre quando o saco gestacional se rompe, causando hemorragia interna e risco iminente de choque hipovolêmico e óbito materno. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre de gravidez. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de atraso menstrual, dor abdominal e sangramento vaginal, em conjunto com um teste de gravidez positivo. Em casos de ruptura, a dor é súbita e intensa, e podem surgir sinais de irritação peritoneal (descompressão brusca positiva, dor à mobilização do colo) e choque (taquicardia, hipotensão, palidez, sudorese). A ultrassonografia transvaginal é fundamental, revelando ausência de gravidez intrauterina e, em casos de ruptura, a presença de líquido livre na cavidade abdominal (hemoperitônio) e/ou massa anexial heterogênea. A conduta para prenhez ectópica rota é sempre cirúrgica e de emergência. A laparotomia exploradora é o procedimento de escolha para controlar a hemorragia, remover o tecido ectópico e, se necessário, realizar salpingectomia. A estabilização hemodinâmica com fluidos intravenosos e transfusão sanguínea deve ser iniciada simultaneamente à preparação para a cirurgia. O manejo rápido e eficaz é crucial para salvar a vida da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos de uma prenhez ectópica rota?

Os sintomas incluem atraso menstrual, dor abdominal aguda e intensa, sangramento vaginal irregular (muitas vezes em borra de café), e sinais de choque hipovolêmico como palidez, taquicardia e hipotensão, devido ao hemoperitônio.

Qual a importância do líquido livre na cavidade abdominal na ultrassonografia?

A presença de líquido livre na cavidade abdominal, especialmente em grande volume, em uma paciente com beta HCG positivo e dor, é um forte indicativo de hemoperitônio, sugerindo a ruptura de uma prenhez ectópica.

Por que a prenhez ectópica rota é uma emergência cirúrgica?

A ruptura da prenhez ectópica causa hemorragia interna significativa, que pode levar rapidamente a choque hipovolêmico e óbito materno se não for tratada cirurgicamente de forma emergencial.

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