FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2023
Paciente de 27 anos, parda, solteira, chega ao pronto-socorro com queixa de dor em região pélvica há 7 dias, com piora há 1 dia, acompanhada de febre não medida e corrimento amarelado com odor fétido. Apresenta atraso menstrual de 10 dias com sangramento irregular após. Refere que, há 2 meses, vem apresentando dispareunia de profundidade. Tem ciclos menstruais regulares e usa como método contraceptivo abstinência periódica. Refere disúria inicial e nega queixas intestinais. Ao exame físico se apresenta em bom estado geral, corada, afebril, eupneica. P 92 ppm e PA 100 X 75 mmHg. Exame especular com conteúdo amarelado espesso e colo com ectrópio friável. Toque vaginal revela dor à mobilização do útero e região anexial dolorosa à direita. Urina 1 normal e leucograma com 12500 leucócitos sem desvio à esquerda. Ultrassonografia sem coleções, mostra massa heterogênea de 1,5 cm em região anexial à D, útero sem anormalidades. Nega episódio semelhante anterior. A conduta adequada, nesse momento, é pensar em
Dor pélvica + atraso menstrual + sangramento irregular + massa anexial → suspeitar prenhez ectópica.
A presença de atraso menstrual, sangramento irregular, dor pélvica e massa anexial em paciente em idade fértil, mesmo com método contraceptivo de baixa eficácia, exige a exclusão de prenhez ectópica, que pode ser uma emergência ginecológica. O beta HCG é crucial para o diagnóstico.
A prenhez ectópica é uma condição grave onde o embrião se implanta fora da cavidade uterina, mais comumente nas tubas uterinas. É uma das principais causas de mortalidade materna no primeiro trimestre de gravidez e deve ser sempre considerada em mulheres em idade fértil com dor pélvica e atraso menstrual. A incidência varia, mas é crucial o diagnóstico precoce para evitar complicações. O diagnóstico baseia-se na tríade clássica de dor abdominal/pélvica, atraso menstrual e sangramento vaginal irregular. Exames complementares incluem a dosagem de beta HCG quantitativo e a ultrassonografia transvaginal, que pode identificar a massa anexial ou a ausência de gestação intrauterina com níveis de HCG acima do limiar de visualização. A suspeita deve ser alta mesmo em usuárias de métodos contraceptivos, especialmente os de menor eficácia. O tratamento da prenhez ectópica pode ser expectante, medicamentoso (metotrexato) ou cirúrgico (laparoscopia ou laparotomia), dependendo da estabilidade hemodinâmica da paciente, tamanho da massa, níveis de beta HCG e desejo de gestações futuras. A conduta adequada é fundamental para preservar a vida da paciente e sua fertilidade.
Os principais sinais incluem dor pélvica unilateral, atraso menstrual, sangramento vaginal irregular e, em casos de ruptura, sinais de choque hipovolêmico.
O beta HCG quantitativo é essencial para confirmar a gravidez e, em conjunto com a ultrassonografia transvaginal, avaliar a localização e viabilidade da gestação.
A diferenciação envolve a análise clínica, dosagem de beta HCG, ultrassonografia e exclusão de DIP (febre, leucocitose com desvio) ou cisto ovariano (geralmente sem atraso menstrual).
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