UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2020
A prematuridade é um grave problema de saúde pública. Apesar de combatida, a prematuridade por vezes é terapêutica, ou seja, em determinadas situações, antecipar o parto é uma medida que aumentará as chances de salvar a paciente ou seu feto. Considerando uma gestação de 31 semanas, de uma gestante primigesta, assinale a alternativa CORRETA sobre qual das situações a seguir está indicado o parto prematuro terapêutico:
Prematuridade terapêutica = Feto com RCIU grave (P1) + Doppler patológico (ACM, Umbilical, Ducto Venoso).
A prematuridade terapêutica é indicada quando a permanência do feto no ambiente intrauterino representa um risco maior do que o parto prematuro. Um feto com restrição de crescimento intrauterino grave (percentil 1) e alterações significativas no Doppler (ACM, Umbilical, Ducto Venoso) indica sofrimento fetal crônico e iminente risco de óbito, justificando a interrupção da gestação para salvar o feto.
A prematuridade é uma das principais causas de morbimortalidade neonatal, mas em algumas situações, o parto prematuro é uma intervenção médica necessária e salvadora. A prematuridade terapêutica ocorre quando a equipe médica decide antecipar o parto devido a condições maternas ou fetais que colocam em risco a vida ou a saúde de um ou de ambos. É uma decisão complexa que pondera os riscos da prematuridade contra os riscos da permanência intrauterina. O diagnóstico de condições que justificam a prematuridade terapêutica envolve uma avaliação cuidadosa. No caso fetal, a Restrição de Crescimento Intrauterino (RCIU) grave é uma das indicações mais comuns. A RCIU é caracterizada por um feto que não atinge seu potencial de crescimento genético, geralmente devido a insuficiência placentária. A avaliação ultrassonográfica com Doppler é fundamental para monitorar o bem-estar fetal, analisando o fluxo sanguíneo em vasos como a artéria umbilical (reflete a resistência placentária), a artéria cerebral média (reflete a redistribuição de fluxo em resposta à hipóxia) e o ducto venoso (indicador de comprometimento cardíaco e hipóxia grave). Quando um feto apresenta RCIU grave (ex: percentil de peso 1) e um Doppler patológico, isso indica um sofrimento fetal crônico e progressivo. As alterações no Doppler, como o fluxo diastólico ausente ou reverso na artéria umbilical, a diminuição da pulsatilidade na artéria cerebral média (redistribuição de fluxo para o cérebro) e, especialmente, as alterações no ducto venoso, sinalizam um risco iminente de óbito fetal. Nesses cenários, o tratamento consiste na interrupção da gestação, após a administração de corticoesteroides para maturação pulmonar fetal, visando otimizar as chances de sobrevida e minimizar as complicações neonatais.
A prematuridade terapêutica é a interrupção intencional da gestação antes do termo, quando a continuação da gravidez representa um risco maior para a mãe ou para o feto do que o parto prematuro. É indicada em condições como pré-eclâmpsia grave, descolamento prematuro de placenta, sofrimento fetal crônico grave (RCIU com Doppler patológico), entre outras.
O Doppler fetal é essencial para avaliar a hemodinâmica fetal e placentária na RCIU. Ele permite identificar o grau de comprometimento fetal e predizer o risco de óbito. Alterações na artéria umbilical, artéria cerebral média e ducto venoso indicam diferentes estágios de sofrimento fetal e orientam a conduta, incluindo o momento do parto.
Um feto no percentil de peso 1 indica RCIU grave. Quando associado a um Doppler patológico (ex: aumento da resistência na artéria umbilical, redistribuição de fluxo na artéria cerebral média, pulsatilidade alterada no ducto venoso), sugere sofrimento fetal crônico avançado e alto risco de morbimortalidade perinatal. Nesses casos, a interrupção da gestação é frequentemente a melhor opção para salvar o feto.
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