UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2015
Paciente de 54 anos, do sexo masculino, residente no interior do estado de Goiás. Há dois dias apresentou dor epigástrica intensa que não aliviou com analgésicos comuns. Há um dia a dor persistiu e iniciou com quadro de febre alta. Procurou o Hospital de Urgência de Goiás, foi submetido a uma endoscopia digestiva alta que diagnosticou úlcera gástrica perfurada. Após 12 horas, o paciente apresentou piora do estado geral, com desidratação grave, e sintomas e sinais de choque séptico. Foi submetido à cirurgia de laparotomia de urgência e rafia do estômago. Após a cirurgia, foi internado na UTI com quadro de febre alta, sinais de toxemia. Há uma hora foi a óbito com quadro de choque séptico. A declaração de óbito do referido paciente deve ser preenchida da seguinte forma:
Declaração de Óbito: Causa Imediata (a) ← Intermediária (b) ← Básica (c).
A declaração de óbito deve seguir uma sequência lógica de eventos que levaram à morte. A causa básica (c) é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos, a causa intermediária (b) é a condição que resultou da básica, e a causa imediata (a) é a condição final que levou ao óbito. Procedimentos cirúrgicos não são causas de morte, mas podem ser mencionados na Parte II se relevantes.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica crucial, com implicações legais, éticas e epidemiológicas. A DO é um documento oficial que atesta o falecimento e fornece informações essenciais sobre as causas da morte, permitindo a análise de dados de mortalidade e o planejamento de políticas de saúde pública. A Parte I da DO é destinada à sequência causal da morte, que deve ser preenchida de forma lógica e cronológica inversa. A linha 'a' registra a causa imediata (a condição final que levou ao óbito), a linha 'b' a causa intermediária (a condição que levou à imediata) e a linha 'c' a causa básica (a doença ou lesão que iniciou toda a cadeia de eventos). É fundamental que haja uma relação de causalidade entre as condições listadas. No caso apresentado, a úlcera gástrica perfurada levou à desidratação grave, que por sua vez culminou em choque séptico e óbito. A Parte II da DO é reservada para outras condições significativas que contribuíram para o óbito, mas que não estavam diretamente envolvidas na cadeia causal da Parte I. Procedimentos médicos, como cirurgias, não são causas de morte e não devem ser listados na Parte I. O conhecimento aprofundado das normas de preenchimento da DO é essencial para todos os profissionais de saúde, especialmente para residentes que frequentemente se deparam com essa tarefa.
A Parte I deve ser preenchida em ordem inversa da cadeia causal: linha 'a' para a causa imediata da morte, linha 'b' para a causa intermediária que levou à 'a', e linha 'c' para a causa básica que iniciou toda a sequência de eventos que culminaram no óbito.
A causa básica de morte é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos mórbidos que, sem interrupção, levou à morte. É fundamental para as estatísticas de saúde pública, permitindo identificar as principais doenças que afetam a população e orientar políticas de prevenção.
Um procedimento cirúrgico não é uma causa de morte, mas pode ser mencionado na Parte II da Declaração de Óbito se for uma condição que contribuiu para o óbito, mas não estava diretamente relacionada à cadeia causal da Parte I. Por exemplo, uma laparotomia pode ser citada se houve complicações que agravaram o quadro.
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