ENARE/ENAMED — Prova 2022
O médico Joaquim é chamado pela família de Dona Josefa, que lhe comunica do falecimento da paciente e lhe solicita o preenchimento da Declaração de Óbito (DO). Com 83 anos, Dona Josefa estava em Cuidados Paliativos, acompanhada por Joaquim no ambiente domiciliar, devido a um câncer do trato gastrointestinal sem possibilidade curativa. Ao chegar no domicílio de Dona Josefa, Joaquim constata o óbito, causado por choque hipovolêmico devido a sangramento do trato gastrointestinal. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa correta.
Médico assistente pode emitir DO em óbito domiciliar por causa natural conhecida, mesmo sem estar presente no momento exato.
O médico assistente que acompanhava o paciente em cuidados paliativos por uma doença incurável pode emitir a Declaração de Óbito (DO) em caso de morte natural, mesmo que não esteja presente no momento do falecimento, desde que possa atestar a causa da morte. A comunicação de más notícias deve ser empática, clara e adaptada à compreensão do paciente/família, sem excesso de informações.
A Declaração de Óbito (DO) é um documento médico-legal de extrema importância para o registro de óbitos e para as estatísticas de saúde pública. O correto preenchimento, especialmente das causas da morte, é fundamental. Em pacientes sob Cuidados Paliativos, a morte é geralmente esperada e decorrente da progressão da doença de base. Nesses casos, o médico assistente que acompanhava o paciente e tem conhecimento da causa da morte (morte natural) é o responsável por emitir a DO, mesmo que o óbito ocorra no domicílio e ele não esteja presente no momento exato. A morte só seria considerada 'suspeita' e exigiria intervenção do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) ou Instituto Médico Legal (IML) se a causa fosse desconhecida, violenta ou não natural. O campo 49 da DO, 'Causas da Morte', deve ser preenchido de forma sequencial, do evento mais recente ao mais antigo na cadeia causal, culminando na causa básica. A comunicação de más notícias é uma habilidade essencial na medicina, especialmente em Cuidados Paliativos. Deve ser realizada com empatia, clareza e assertividade, adaptando a linguagem ao nível de compreensão do paciente e da família. O objetivo é fornecer informações essenciais para a tomada de decisões, sem sobrecarregar com detalhes desnecessários, e oferecer suporte emocional adequado. A eutanásia, por sua vez, é a prática de abreviar a vida de um paciente incurável, o que é eticamente e legalmente proibido no Brasil.
O médico assistente pode emitir a DO em caso de óbito domiciliar quando acompanhava o paciente e pode atestar a causa da morte como natural, mesmo que não estivesse presente no momento exato do falecimento. É fundamental que ele tenha conhecimento da história clínica e da doença de base.
No campo 49 'Causas da Morte', parte I, a linha 'a' deve conter a causa imediata (ex: choque hipovolêmico), a linha 'b' a causa antecedente (ex: sangramento do trato gastrointestinal), e a linha 'c' a causa básica (ex: câncer do trato gastrointestinal). A parte II deve conter outras condições significativas que contribuíram para a morte, mas não diretamente na cadeia causal.
A comunicação de más notícias é um pilar dos Cuidados Paliativos, visando informar o paciente e a família sobre o prognóstico e as opções de tratamento de forma empática, clara e honesta. Isso permite o planejamento de cuidados, a tomada de decisões compartilhadas e o suporte emocional, respeitando a autonomia do paciente.
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