HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2017
Paciente diabético é atendido por plantonista no pronto-socorro com quadro de vômitos sanguinolentos desde há quatro horas. Há duas horas com tonturas e desmaios. No exame físico, descorado +++/4+, e PA de 0 mmhg. A família conta que paciente é portador de esquistossomose mansônica há 5 anos, e que 2 anos atrás esteve internado nesse hospital com vômitos de sangue e recebeu alta com diagnóstico de varizes de esôfago após exame endoscópico (sic). Duas horas após admissão apresentou parada cardiorrespiratória e teve o óbito verificado pelo médico plantonista, após o insucesso das manobras de reanimação. Neste caso, a parte I do Atestado Médico da Declaração de Óbito deve ser assim preenchida:
DO Parte I: Causa direta → Causas antecedentes → Causa básica (sequência fisiopatológica).
A Parte I da Declaração de Óbito deve seguir a sequência lógica da cadeia de eventos que levou à morte, do mais recente (causa direta) ao mais antigo (causa básica). No caso, o choque hipovolêmico foi a causa direta, decorrente da ruptura de varizes, que por sua vez foi causada pela hipertensão portal secundária à esquistossomose.
O preenchimento da Declaração de Óbito (DO) é uma competência essencial para todo médico, exigindo conhecimento da fisiopatologia e das diretrizes de codificação de mortalidade. A Parte I da DO destina-se a registrar a cadeia de eventos que levou diretamente à morte, começando pela causa direta (linha I) e retrocedendo através das causas antecedentes (linhas II e III) até a causa básica (linha IV). A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a sequência de eventos mórbidos que resultaram na morte. No caso da esquistossomose mansônica, a doença parasitária crônica leva à fibrose hepática periportal, que por sua vez causa hipertensão portal. A hipertensão portal é a principal responsável pela formação de varizes esofagianas, que são vasos sanguíneos dilatados e frágeis no esôfago. A ruptura dessas varizes resulta em hemorragia digestiva alta maciça, que pode rapidamente levar a um choque hipovolêmico, a causa direta da morte. Portanto, a sequência correta na Parte I seria: I - Choque hipovolêmico; II - Ruptura de varizes esofagianas; III - Hipertensão portal; IV - Esquistossomose mansônica. Dominar o preenchimento da DO é crucial para a prática médica e para as provas de residência, pois garante a validade legal do documento e a precisão dos dados epidemiológicos, que são vitais para a formulação de políticas de saúde pública. A compreensão da fisiopatologia subjacente é a chave para estabelecer a correta cadeia causal.
A esquistossomose mansônica crônica pode levar à fibrose hepática e hipertensão portal. A hipertensão portal causa a formação de varizes esofagianas, que podem romper e sangrar profusamente, resultando em hemorragia digestiva alta e choque hipovolêmico.
A sequência correta na Parte I (I, II, III, IV) é crucial para estabelecer a cadeia de eventos que levou à morte, permitindo a identificação da causa básica e a correta codificação para estatísticas de mortalidade, que são fundamentais para a saúde pública.
Neste cenário, a esquistossomose mansônica é a causa básica de óbito, pois foi a doença original que iniciou toda a cadeia de eventos patológicos (hipertensão portal, varizes esofagianas, ruptura, choque hipovolêmico) que culminou na morte do paciente.
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