HOC - Hospital de Olhos de Conquista (BA) — Prova 2015
No meio da noite, em um plantão, você atende a um homem de 56 anos, com dor precordial em aperto. Você solicita um Eletrocardiograma que demonstra supra desnivelamento do seguimento ST em mais de uma derivação contígua. Enquanto encaminha o paciente para o início de terapia trombolítica, a família o chama, alegando que o paciente tornou-se irresponsivo. O paciente encontra-se apnéico e sem pulso central. Imediatamente, você dá início aos cuidados de suporte básico para vida, verificando no monitor cardíaco traçado compatível com fibrilação ventricular. Apesar de seus esforços, o paciente evolui para o óbito. Ao conversar mais cuidadosamente com a família, você descobre que o paciente possuía uma arteriografia coronariana demonstrando diversas lesões obstrutivas e que o paciente fazia uso, há diversos anos, de metformina e glibenclamida. Para esse paciente, qual alternativa demonstra a forma CORRETA de preenchimento do bloco “condições e causas do óbito”, no documento padrão do Sistema de Informações sobre Mortalidade?
DO: Parte I = cadeia causal (direta → antecedente); Parte II = condições contribuintes. PCR é mecanismo, não causa básica.
O preenchimento da Declaração de Óbito (DO) segue uma lógica de cadeia causal. Na Parte I, a linha 'a' é a causa imediata, 'b' a causa antecedente da 'a', e assim por diante. A Parte II lista outras condições que contribuíram para o óbito, mas não fazem parte da cadeia causal direta. Parada Cardiorrespiratória (PCR) é um mecanismo de morte, não a causa básica, e não deve ser a primeira linha na Parte I.
O preenchimento correto da Declaração de Óbito (DO) é uma responsabilidade médica fundamental e um documento de grande importância epidemiológica e legal. O Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) utiliza esses dados para monitorar a saúde pública. A DO é dividida em duas partes principais: a Parte I, que descreve a cadeia causal de eventos que levaram diretamente à morte, e a Parte II, que lista outras condições significativas que contribuíram para o óbito, mas não estavam na sequência causal direta. Na Parte I, as causas são listadas em ordem cronológica inversa: a linha 'a' é a causa imediata da morte (a doença ou complicação que diretamente causou o óbito), a linha 'b' é a causa antecedente da 'a', e assim por diante, até chegar à causa básica da morte (a doença ou lesão que iniciou toda a sequência de eventos). No caso apresentado, o paciente faleceu por Fibrilação Ventricular (FV) que levou à Parada Cardiorrespiratória (PCR), sendo o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) a causa imediata que levou à FV/PCR. O IAM, por sua vez, foi causado pela Doença Arterial Coronariana (DAC). A Parte II da DO é destinada a registrar outras condições mórbidas que, embora não diretamente na cadeia causal, contribuíram para o desfecho fatal. O Diabetes Mellitus tipo 2 é um importante fator de risco para a Doença Arterial Coronariana e, consequentemente, para o Infarto Agudo do Miocárdio, mas não é a causa imediata ou antecedente direta da morte nesse contexto. Portanto, ele deve ser listado na Parte II. A compreensão dessa estrutura é vital para garantir a acurácia dos dados de mortalidade e para a prática médica diária.
A causa imediata (linha 'a' da Parte I) é a doença ou lesão que diretamente levou à morte. A causa básica é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que resultaram na morte, sendo a condição fundamental que levou à causa imediata.
A Parada Cardiorrespiratória (PCR) não deve ser registrada como causa básica ou imediata de morte. Ela é um mecanismo final. As causas que levaram à PCR (ex: Infarto Agudo do Miocárdio, arritmia fatal) devem ser registradas na Parte I da DO.
Comorbidades como Diabetes Mellitus, que contribuem para o óbito mas não fazem parte da cadeia causal direta que levou à morte, devem ser registradas na Parte II da Declaração de Óbito, sob 'Outras condições significativas que contribuíram para a morte'.
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