FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015
Menina, 17 anos, com antecedente de estenose mitral devido à sequela de febre reumática há 7 anos, em tratamento de insuficiência cardíaca congestiva há 2 anos, compensada com medicamentos. Há 5 dias foi internada em Unidade de Terapia Intensiva com o seguinte exame físico: PA = 140 x 95mmHg, FC = 140bpm, FR = 52 irpm e fígado a 4 cm rebordo costal direito. Evoluiu com necessidade de ventilação mecânica invasiva. Após 24 horas, apresentou parada cardiorrespiratória, sendo constatado óbito após 30 minutos de manobras de ressuscitação cardiopulmonar. O preenchimento CORRETO dos itens “a”, “b” e “c” do atestado de óbito, segundo o manual de instruções para o preenchimento da declaração de óbito do Ministério da Saúde, é:
Atestado de óbito: 'a' causa imediata, 'b' causa intermediária, 'c' causa básica.
O atestado de óbito deve seguir uma sequência lógica de eventos que levaram à morte, do mais recente (causa imediata) ao mais antigo (causa básica). No caso, a insuficiência respiratória aguda (a) foi a causa imediata, decorrente da insuficiência cardíaca congestiva (b), que por sua vez foi causada pela valvulopatia mitral (c), sequela da febre reumática. A febre reumática é a doença de base, mas a valvulopatia mitral é a condição que levou diretamente à ICC.
O preenchimento correto do atestado de óbito é uma responsabilidade médica crucial, com implicações legais, epidemiológicas e de saúde pública. O manual de instruções do Ministério da Saúde orienta o preenchimento da Parte I, que descreve a sequência de eventos que levaram à morte, do mais recente ao mais antigo. É fundamental identificar a causa básica, que é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos. A Parte I do atestado é dividida em linhas 'a', 'b', 'c' e 'd'. A linha 'a' deve conter a causa imediata da morte (a condição que levou diretamente ao óbito). A linha 'b' deve conter a causa intermediária (a condição que levou à causa 'a'). A linha 'c' deve conter a causa básica (a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos que resultaram na morte). A linha 'd' é opcional para uma causa básica mais remota. No caso clínico, a paciente evoluiu com insuficiência respiratória aguda (a), que foi uma complicação da insuficiência cardíaca congestiva (b). A insuficiência cardíaca congestiva, por sua vez, foi uma consequência da valvulopatia mitral (c), que é a sequela da febre reumática. É um erro comum listar a parada cardiorrespiratória como causa de óbito, pois é um evento terminal e não uma causa etiológica. O preenchimento adequado garante dados precisos para estatísticas de mortalidade e planejamento em saúde.
A causa básica da morte é a doença ou lesão que iniciou a cadeia de eventos patológicos que levaram diretamente à morte, ou as circunstâncias do acidente ou violência que produziram a lesão fatal. É a causa fundamental.
A parada cardiorrespiratória é um mecanismo final da morte, não uma causa etiológica. Ela deve ser evitada no atestado de óbito, pois não fornece informações sobre a doença ou condição subjacente que levou ao óbito.
A sequência causal é estabelecida de trás para frente: a causa imediata (a) é a condição que levou diretamente à morte; a causa intermediária (b) é a condição que levou à causa imediata; e a causa básica (c) é a doença ou lesão original que iniciou todo o processo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo