FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Paciente de 60 anos de idade comparece ao serviço de urgência devido a quadro de um mês de evolução de fadiga, hiporexia, tosse seca e dispneia aos esforços progressiva, atualmente aos mínimos esforços. Em sua história patológica pregressa consta apenas transtorno depressivo maior em remissão com citalopram e tabagismo ativo, com 30 maços-ano. Ao exame físico, apresentava bom estado geral, mucosas úmidas e hipocoradas 1+/4+, ausência de linfadenomegalias, cavidade oral e nasal sem alterações, com frequência cardíaca de 98 batimentos por minuto, frequência respiratória de 24 incursões por minuto, temperatura axilar de 37,2 graus Celsius, saturação periférica de 86%, expansibilidade torácica reduzida à esquerda, com crepitações finas holoinspiratórias em base esquerda e em todo hemitórax direito, exames dos sistemas cardiovascular e abdominal sem alterações. Realizou radiografia de tórax com o seguinte achado: Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA:
Dispneia progressiva + hipoxemia + crepitações + preenchimento alveolar bilateral na RX → suspeitar de edema pulmonar ou pneumonia extensa.
O quadro clínico de fadiga, dispneia progressiva, tosse seca, hipoxemia e crepitações pulmonares bilaterais, associado a achados radiográficos de preenchimento alveolar bilateral, sugere um processo inflamatório ou congestivo extenso nos pulmões, como edema pulmonar ou pneumonia bilateral. A presença de broncogramas aéreos indica preenchimento alveolar, mas não é patognomônica de pneumonia bacteriana comunitária.
A interpretação da radiografia de tórax em pacientes com dispneia e hipoxemia é uma habilidade fundamental para o médico residente. O achado de preenchimento alveolar bilateral, como descrito no caso, sugere uma patologia pulmonar difusa que afeta os alvéolos, comprometendo a troca gasosa. O preenchimento alveolar é caracterizado radiologicamente por opacidades confluentes que podem apresentar broncogramas aéreos, indicando que o ar nos brônquios está contrastando com o material (líquido, pus, sangue) que preenche os alvéolos adjacentes. Embora broncogramas aéreos sejam frequentemente associados à pneumonia, eles não são patognomônicos e podem ser vistos em outras condições como edema pulmonar e SDRA. Diante de um quadro de dispneia progressiva, hipoxemia e crepitações bilaterais, com preenchimento alveolar na radiografia, é crucial considerar diagnósticos como edema pulmonar (cardiogênico ou não), pneumonia bilateral ou hemorragia alveolar. A história clínica, exame físico e outros exames complementares (como ecocardiograma, exames laboratoriais) são essenciais para refinar o diagnóstico e guiar o tratamento adequado.
Preenchimento alveolar bilateral pode ser causado por edema pulmonar (cardiogênico ou não cardiogênico), pneumonia bilateral (viral, bacteriana, fúngica), hemorragia alveolar difusa, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e algumas pneumonites.
Brancogramas aéreos são a visualização de brônquios cheios de ar contrastando com alvéolos preenchidos por líquido ou exsudato. Eles indicam que o processo patológico é alveolar e não brônquico, sendo um sinal de preenchimento alveolar.
O edema pulmonar cardiogênico frequentemente apresenta cardiomegalia, derrame pleural e redistribuição vascular, com infiltrados mais simétricos. Pneumonias bilaterais podem ser mais assimétricas, com consolidações lobares ou multifocais, e sem sinais de congestão cardíaca.
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