Pré-natal: Manejo da Gestante Rh Negativo e Infecções

Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020

Enunciado

Paciente 38 anos, gravidez não planejada, assintomática, não sabe informar quem é o pai da criança. Não sabe informar a data da última menstruação e aguarda ultrassom. Exames realizados há quinze dias mostraram: GS A negativo, teste de Coombs indireto negativo, glicemia de jejum 90 mg/dL, hemoglobina 11,2g/dL, sorologia para toxoplasmose IgG positivo e IgM negativo, teste HIV 1 e 2 negativo, HbsAg não reator, VDRL reator 1:8, urocultura positiva, acima de 100.000 unidades formadoras de E.Coli. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta as ORIENTAÇÕES e TRATAMENTOS que devem ser dados a essa paciente, respectivamente.

Alternativas

  1. A) O teste de Coombs indireto foi corretamente solicitado, mas será preciso repetir pelo menos trimestralmente.
  2. B) A urocultura é indicativa de bacteriúria assintomática e não necessita de tratamento neste momento.
  3. C) Como a glicemia encontra-se abaixo de 90, a paciente não precisa realizar glicemia após 1 e 2 horas de ingestão de 75g de dextrosol.
  4. D) Como a titulação do VDRL é baixa, não será necessário realizar o tratamento antes da realização da ultrassonografia para saber a idade gestacional.

Pérola Clínica

Gestante Rh negativo com Coombs indireto negativo → repetir trimestralmente.

Resumo-Chave

Em gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo ou desconhecido, o teste de Coombs indireto deve ser repetido trimestralmente para monitorar a sensibilização e prevenir a doença hemolítica do recém-nascido. Outros achados como VDRL reator e urocultura positiva demandam tratamento imediato.

Contexto Educacional

O pré-natal é um período crucial para a detecção e manejo de condições que podem afetar a saúde da mãe e do feto. Em gestantes com Rh negativo e parceiro desconhecido ou Rh positivo, o rastreamento para incompatibilidade Rh é fundamental. O teste de Coombs indireto, se negativo inicialmente, deve ser repetido trimestralmente para monitorar a possível sensibilização materna e prevenir a doença hemolítica do recém-nascido. Além da incompatibilidade Rh, outras condições como sífilis e infecções urinárias demandam atenção. Um VDRL reator, mesmo em baixas titulações como 1:8, indica sífilis e exige tratamento imediato com penicilina para evitar a sífilis congênita. A bacteriúria assintomática, definida por uma urocultura positiva sem sintomas, também deve ser tratada na gestação devido ao risco aumentado de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A glicemia de jejum de 90 mg/dL está no limite superior para gestantes, indicando a necessidade de rastreamento para diabetes gestacional com teste de tolerância à glicose oral entre 24 e 28 semanas. A toxoplasmose IgG positivo e IgM negativo indica infecção prévia e imunidade, não requerendo tratamento, mas orientações sobre prevenção de reinfecção são importantes.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do Coombs indireto na gestação Rh negativo?

O Coombs indireto detecta anticorpos anti-Rh na gestante Rh negativo. Se positivo, indica sensibilização e risco de doença hemolítica fetal. Se negativo, deve ser repetido para monitorar a possível sensibilização ao longo da gravidez.

Como proceder com VDRL reator na gestação?

Um VDRL reator 1:8 na gestação indica sífilis e requer tratamento imediato com penicilina, independentemente da idade gestacional. A titulação não é considerada baixa o suficiente para adiar o tratamento, e a sífilis congênita é uma condição grave.

A bacteriúria assintomática precisa ser tratada na gravidez?

Sim, a bacteriúria assintomática em gestantes deve ser sempre tratada, pois aumenta o risco de pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. A urocultura positiva com mais de 100.000 UFC/mL de E. coli é indicação de tratamento.

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