PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Primigesta, 23 anos, sem doenças prévias, retorna após 15 dias, à sua segunda consulta de pré-natal trazendo exames solicitados anteriormente. Encontra-se na consulta atual com 16 semanas e três dias de idade gestacional (confirmada por biometria fetal), sem queixas ginecológicas ou relativas à gestação e com cartão de vacina atualizado. Exames laboratoriais evidenciam: grupo sanguíneo B Rh negativo; glicemia de jejum = 91mg/dL; VDRL = não reator; anti-HIV não reator; HbsAg = não reator; anti-HCV = não reator; HTLV 1 e 2 = não reator; toxoplasmose = IgM negativo, lgG positivo; hemoglobina = 11,5g/dL, hematócrito = 34%, CM = 88fL, HCM = 27pg; urina rotina evidenciando glicosúria (2+ em 4+), urocultura sem crescimento bacteriano, e eletroforese de hemoglobina com padrão AA. Exame físico: 62Kg, I.M.C. = 22,4Kg/m², PA = 110x80mmHg, FC = 88bpm; útero-fita = 15cm; B.C.F. = 142bpm; ausência de edemas em membros inferiores. É conduta ADEQUADA a ser indicada nesta consulta de pré-natal:
Gestante Rh negativo → Coombs indireto mensal a partir da 20ª semana ou na 1ª consulta.
A gestante Rh negativo necessita de acompanhamento rigoroso para prevenir a aloimunização. O Coombs indireto deve ser solicitado na primeira consulta e repetido mensalmente a partir da 20ª semana ou conforme protocolo, para detectar a presença de anticorpos anti-Rh.
O pré-natal é um período crucial para a saúde materno-fetal, visando identificar e manejar riscos para garantir uma gestação e parto seguros. A identificação do grupo sanguíneo e fator Rh materno é um dos exames mais importantes na primeira consulta. Gestantes com fator Rh negativo requerem atenção especial devido ao risco de aloimunização. A aloimunização Rh ocorre quando uma mãe Rh negativo é exposta a sangue Rh positivo (geralmente do feto) e desenvolve anticorpos anti-Rh. Esses anticorpos podem atravessar a placenta em gestações subsequentes e atacar as hemácias de um feto Rh positivo, causando a Doença Hemolítica do Recém-Nascido (DHRN), que pode variar de anemia leve a hidropsia fetal e morte. Para prevenir isso, o Coombs indireto é solicitado na primeira consulta e repetido periodicamente (geralmente mensalmente a partir da 20ª semana) para monitorar a presença de anticorpos. Outros achados da questão, como a glicemia de jejum de 91mg/dL, estão dentro da normalidade para o primeiro trimestre (limite < 92mg/dL) e não indicam antecipação do TOTG. A glicosúria isolada é comum na gravidez devido a alterações fisiológicas renais. A hemoglobina de 11,5g/dL é aceitável para o segundo trimestre (>11g/dL). A toxoplasmose IgG positivo e IgM negativo indica infecção pregressa e imunidade, sem risco agudo para o feto. Portanto, a conduta mais adequada é o monitoramento do fator Rh e agendamento da próxima consulta.
O Coombs indireto detecta anticorpos anti-Rh no sangue materno. Sua positividade indica que a mãe já foi sensibilizada e pode estar produzindo anticorpos que podem causar doença hemolítica no feto Rh positivo.
A imunoglobulina anti-Rh (RhoGAM) é administrada profilaticamente em gestantes Rh negativo não sensibilizadas na 28ª semana de gestação e novamente dentro de 72 horas após o parto de um bebê Rh positivo, ou após eventos com risco de hemorragia feto-materna.
A glicosúria isolada na gravidez, com glicemia de jejum normal, é frequentemente fisiológica devido ao aumento da taxa de filtração glomerular e à diminuição do limiar renal para a glicose. Não indica diabetes gestacional por si só, mas deve ser monitorada.
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