Pré-eclâmpsia: Mitos e Verdades sobre o Manejo Clínico

Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2020

Enunciado

Em relação à pré-eclampsia assinale a alternativa incorreta:

Alternativas

  1. A) Repouso prolongado no leito é mandatório em casos graves e não aumenta o risco de trombrose venosa.
  2. B) A prevenção pode ser realizada com AAS 100 mg por dia.
  3. C) A dieta hipossódica não deve ser estimulada, pois não melhora os níveis pressóricos em gestantes com ingesta adequada desse elemento.
  4. D) Diuréticos não devem ser utilizados de rotina uma vez que na pré-eclampsia existe hemoconcentração.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia: Repouso prolongado no leito NÃO é mandatório e ↑ risco de trombose.

Resumo-Chave

O repouso prolongado no leito não é recomendado para gestantes com pré-eclâmpsia, mesmo em casos graves, pois não demonstrou benefício e aumenta significativamente o risco de tromboembolismo venoso, uma complicação grave na gravidez. A mobilização precoce, quando possível, é preferível.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica da gravidez caracterizada por hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação, podendo evoluir para complicações graves maternas e fetais. Seu manejo adequado é crucial para a segurança da gestante e do feto. É fundamental que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados sobre as melhores práticas baseadas em evidências. Historicamente, o repouso prolongado no leito era uma conduta comum, mas estudos recentes demonstram que não há benefício em termos de desfechos maternos ou fetais e, pior, aumenta o risco de tromboembolismo venoso, uma complicação potencialmente fatal. Portanto, o repouso absoluto não é mandatório e deve ser evitado. A prevenção em gestantes de alto risco é feita com AAS em baixas doses, iniciado precocemente. Outros pontos importantes no manejo incluem a não recomendação de dieta hipossódica, que não melhora os níveis pressóricos em gestantes com ingesta adequada e pode até ser prejudicial. Da mesma forma, diuréticos não devem ser usados de rotina, pois a pré-eclâmpsia cursa com hemoconcentração e hipovolemia relativa, e a depleção volêmica poderia piorar a perfusão placentária e renal. O foco do tratamento é o controle da pressão arterial e a avaliação do momento ideal para o parto.

Perguntas Frequentes

O repouso no leito é indicado para pré-eclâmpsia?

Não, o repouso prolongado no leito não é indicado para pré-eclâmpsia, pois não há evidências de benefício e eleva o risco de tromboembolismo venoso, uma complicação grave para a gestante.

Como a pré-eclâmpsia pode ser prevenida?

A prevenção da pré-eclâmpsia pode ser realizada com o uso de AAS (ácido acetilsalicílico) em baixas doses (100 mg/dia) em gestantes de alto risco, geralmente iniciado antes da 16ª semana de gestação.

Por que diuréticos não são usados rotineiramente na pré-eclâmpsia?

Diuréticos não são utilizados de rotina na pré-eclâmpsia porque a condição cursa com hemoconcentração e hipovolemia relativa, e a diurese excessiva poderia agravar a perfusão placentária e o estado hemodinâmico da gestante.

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