SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2022
A.S.D., 32 anos, GIII PII 2N A0, IG (usg precoce) 32 semanas e 6 dias, hipertensa crônica, deu entrada no PSGO com PA 150 × 100 mmHg; em uso de metildopa 750 mg/dia. Assintomática. Relação proteína na urina / creatinina na urina de 0,4. Ao USG obstétrico com doppler: peso fetal no percentil 5, ILA normal, doppler de artéria umbilical com diástole zero e ducto venoso normal. Assinale o diagnóstico e a conduta correta.
Hipertensa crônica + proteinúria nova/piora + RCF + diástole zero na umbilical → Pré-eclâmpsia superajuntada grave; internação e monitorização.
A paciente apresenta hipertensão crônica e desenvolveu proteinúria significativa (relação proteína/creatinina > 0,3), caracterizando pré-eclâmpsia superajuntada. A presença de restrição de crescimento fetal (percentil 5) e, principalmente, diástole zero na artéria umbilical no Doppler, indica comprometimento fetal grave e insuficiência placentária, classificando a pré-eclâmpsia como grave. A conduta inicial é internação para monitorização rigorosa materna e fetal.
A pré-eclâmpsia superajuntada é uma complicação grave da gestação que ocorre em mulheres com hipertensão crônica preexistente. É caracterizada pelo desenvolvimento de proteinúria nova ou piora da proteinúria preexistente após 20 semanas de gestação, ou pelo surgimento de sinais de gravidade da pré-eclâmpsia. Essa condição está associada a um risco aumentado de morbidade e mortalidade materna e fetal, incluindo restrição de crescimento fetal, descolamento prematuro de placenta e parto prematuro. O diagnóstico é baseado na história de hipertensão crônica e nos achados de proteinúria (relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 ou proteinúria de 24h ≥ 0,3g). A presença de restrição de crescimento fetal (peso fetal no percentil 5) e, crucialmente, a diástole zero na artéria umbilical ao Doppler, indicam um comprometimento fetal significativo devido à insuficiência placentária. A diástole zero é um sinal de aumento extremo da resistência vascular placentária, com risco iminente de hipóxia fetal. A conduta para pré-eclâmpsia superajuntada com sinais de gravidade e comprometimento fetal é a internação hospitalar para monitorização intensiva da mãe (controle da PA, exames laboratoriais) e do feto (cardiotocografia, perfil biofísico, doppler). A decisão sobre a interrupção da gestação é individualizada, considerando a idade gestacional, a gravidade do quadro materno e fetal, e a maturidade pulmonar fetal. O sulfato de magnésio para neuroproteção fetal é indicado em gestações pré-termo com risco iminente de parto, e corticoide para maturação pulmonar fetal. A opção B é a mais adequada para a conduta inicial, pois a interrupção imediata via cesariana de urgência (opção A) ou indução após 48h (opção D) ou sulfato de magnésio + interrupção via alta (opção E) seriam condutas mais avançadas, após a estabilização e avaliação completa na internação. A opção C está incorreta pois há proteinúria e RCF, não sendo apenas hipertensão crônica.
A pré-eclâmpsia superajuntada é diagnosticada em gestantes com hipertensão crônica que desenvolvem proteinúria nova (≥ 0,3 g/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) após 20 semanas de gestação, ou piora de proteinúria preexistente, ou surgimento de sinais de gravidade.
A diástole zero na artéria umbilical indica aumento significativo da resistência vascular placentária, refletindo insuficiência placentária grave e comprometimento da oxigenação fetal. É um sinal de alerta para sofrimento fetal crônico e risco de desfechos adversos.
A conduta inicial é a internação hospitalar para monitorização rigorosa da pressão arterial materna, avaliação laboratorial (função renal, hepática, plaquetas) e monitorização fetal intensiva (cardiotocografia, perfil biofísico, doppler). A interrupção da gestação é considerada dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro.
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