FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025
Uma tercigesta com antecedente de duas cesáreas prévias, com idade gestacional de 33 semanas e 3 dias e com antecedente de hipertensão arterial crônica compareceu à consulta de pré‑natal. Ela queixou‑se de inchaço nas pernas e cefaleia frequente e, nesse momento, relatou desconforto epigástrico e embaçamento visual. Negou outras queixas. Estava em uso de metildopa 750 mg ao dia, aspirina e carbonato de cálcio 1,5 g ao dia. Observe dados do cartão de pré‑natal da paciente:A paciente havia comparecido ao pronto‑socorro há dois dias, para avaliar cefaleia, e trouxe exames laboratoriais coletados na ocasião com os seguintes achados: hemograma normal; urina 1 com proteína 3+ e sem demais alterações.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, no que se refere à hipótese diagnóstica adequada, à definição da condição clínica apresentada e ao tratamento indicado para essa paciente.
Pré-eclâmpsia sobreposta à HAS crônica: piora proteinúria ou disfunção de órgão-alvo após 20ª semana → internação e sulfato de magnésio.
A paciente apresenta hipertensão arterial crônica e desenvolve sintomas como cefaleia, desconforto epigástrico, embaçamento visual e proteinúria 3+, que são sinais de gravidade de pré-eclâmpsia. A sobreposição é diagnosticada pela piora da condição após a 20ª semana, exigindo internação e profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio.
A pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica é uma complicação grave da gestação, afetando cerca de 13% das gestantes com hipertensão crônica. É crucial para residentes reconhecer essa condição, pois ela está associada a maiores riscos maternos e fetais, incluindo parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino, descolamento prematuro de placenta, eclâmpsia e óbito materno-fetal. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para melhorar os desfechos. A fisiopatologia envolve uma disfunção endotelial generalizada e má perfusão placentária, exacerbada pela hipertensão preexistente. A suspeita deve surgir em gestantes hipertensas crônicas que desenvolvem proteinúria nova ou piora da preexistente, ou qualquer sinal de disfunção de órgão-alvo após a 20ª semana de gestação. A monitorização rigorosa da pressão arterial, avaliação laboratorial (hemograma, função renal e hepática, proteinúria) e acompanhamento dos sintomas são essenciais para o diagnóstico. O tratamento envolve internação hospitalar para monitorização intensiva, controle da pressão arterial com anti-hipertensivos seguros na gestação (como metildopa, hidralazina, nifedipino) e, crucialmente, a administração de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões em casos de gravidade. A decisão sobre o momento do parto é individualizada, considerando a idade gestacional, a gravidade da doença e as condições maternas e fetais, visando minimizar riscos para ambos.
A pré-eclâmpsia sobreposta é diagnosticada pelo aparecimento de proteinúria nova ou piora da proteinúria preexistente (se já havia) após a 20ª semana de gestação, ou pelo desenvolvimento de disfunção de órgão-alvo (como plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal, edema pulmonar, sintomas neurológicos ou visuais) em uma paciente com hipertensão arterial crônica.
O sulfato de magnésio é indicado para profilaxia e tratamento de convulsões (eclâmpsia) em pacientes com pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia. A presença de sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em quadrante superior direito, além de proteinúria e hipertensão, configura gravidade e justifica sua administração.
Sinais de alerta de gravidade incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, cefaleia persistente não responsiva a analgésicos, distúrbios visuais (escotomas, diplopia, amaurose), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, plaquetopenia (<100.000/mm³), elevação de enzimas hepáticas (AST/ALT > 2x o normal), insuficiência renal progressiva e edema pulmonar.
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