Pré-eclâmpsia Sobreposta: Diagnóstico e Manejo Essencial

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma tercigesta com antecedente de duas cesáreas prévias, com idade gestacional de 33 semanas e 3 dias e com antecedente de hipertensão arterial crônica compareceu à consulta de pré‑natal. Ela queixou‑se de inchaço nas pernas e cefaleia frequente e, nesse momento, relatou desconforto epigástrico e embaçamento visual. Negou outras queixas. Estava em uso de metildopa 750 mg ao dia, aspirina e carbonato de cálcio 1,5 g ao dia. Observe dados do cartão de pré‑natal da paciente:A paciente havia comparecido ao pronto‑socorro há dois dias, para avaliar cefaleia, e trouxe exames laboratoriais coletados na ocasião com os seguintes achados: hemograma normal; urina 1 com proteína 3+ e sem demais alterações.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, no que se refere à hipótese diagnóstica adequada, à definição da condição clínica apresentada e ao tratamento indicado para essa paciente.

Alternativas

  1. A) Trata‑se de provável pré‑eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica, definida pelo aparecimento ou pela piora da proteinúria detectada na primeira metade da gestação e(ou) disfunção de órgão‑alvo após a 20ª semana de gestação. Há indicação de internação e administração de sulfato de magnésio (4 g por via intravenosa em bôlus de ataque e 1 g por hora por via intravenosa em dose de manutenção).
  2. B) Trata‑se de provável pré‑eclâmpsia, com manifestação de hipertensão arterial identificada após a 20ª semana de gestação, associada à proteinúria significativa. Há indicação de internação e administração de sulfato de magnésio (4 g por via intravenosa em bôlus de ataque e 1 g por hora por via intravenosa em dose de manutenção).
  3. C) Trata‑se de provável hipertensão arterial crônica descompensada, definida por valores de pressão arterial (PA) ≥ 140 e(ou) 90 mmHg, avaliada após um período de repouso, com a paciente em posição sentada e manguito apropriado. Há indicação de hidralazina (vasodilatador periférico) para controle da pressão arterial.
  4. D) Trata‑se de provável hipertensão gestacional, definida pela hipertensão arterial sem proteinúria ou outros sinais de pré‑eclâmpsia, havendo indicação de monitorização rigorosa da pressão arterial e aumento da dose de metildopa para 1 g ao dia.
  5. E) Trata‑se de provável hipertensão gestacional, e não há indicação de ajuste medicamentoso.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia sobreposta à HAS crônica: piora proteinúria ou disfunção de órgão-alvo após 20ª semana → internação e sulfato de magnésio.

Resumo-Chave

A paciente apresenta hipertensão arterial crônica e desenvolve sintomas como cefaleia, desconforto epigástrico, embaçamento visual e proteinúria 3+, que são sinais de gravidade de pré-eclâmpsia. A sobreposição é diagnosticada pela piora da condição após a 20ª semana, exigindo internação e profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica é uma complicação grave da gestação, afetando cerca de 13% das gestantes com hipertensão crônica. É crucial para residentes reconhecer essa condição, pois ela está associada a maiores riscos maternos e fetais, incluindo parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino, descolamento prematuro de placenta, eclâmpsia e óbito materno-fetal. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para melhorar os desfechos. A fisiopatologia envolve uma disfunção endotelial generalizada e má perfusão placentária, exacerbada pela hipertensão preexistente. A suspeita deve surgir em gestantes hipertensas crônicas que desenvolvem proteinúria nova ou piora da preexistente, ou qualquer sinal de disfunção de órgão-alvo após a 20ª semana de gestação. A monitorização rigorosa da pressão arterial, avaliação laboratorial (hemograma, função renal e hepática, proteinúria) e acompanhamento dos sintomas são essenciais para o diagnóstico. O tratamento envolve internação hospitalar para monitorização intensiva, controle da pressão arterial com anti-hipertensivos seguros na gestação (como metildopa, hidralazina, nifedipino) e, crucialmente, a administração de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões em casos de gravidade. A decisão sobre o momento do parto é individualizada, considerando a idade gestacional, a gravidade da doença e as condições maternas e fetais, visando minimizar riscos para ambos.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica?

A pré-eclâmpsia sobreposta é diagnosticada pelo aparecimento de proteinúria nova ou piora da proteinúria preexistente (se já havia) após a 20ª semana de gestação, ou pelo desenvolvimento de disfunção de órgão-alvo (como plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal, edema pulmonar, sintomas neurológicos ou visuais) em uma paciente com hipertensão arterial crônica.

Quando o sulfato de magnésio é indicado no manejo da pré-eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é indicado para profilaxia e tratamento de convulsões (eclâmpsia) em pacientes com pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia. A presença de sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em quadrante superior direito, além de proteinúria e hipertensão, configura gravidade e justifica sua administração.

Quais são os sinais de alerta que indicam gravidade na pré-eclâmpsia?

Sinais de alerta de gravidade incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, cefaleia persistente não responsiva a analgésicos, distúrbios visuais (escotomas, diplopia, amaurose), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, plaquetopenia (<100.000/mm³), elevação de enzimas hepáticas (AST/ALT > 2x o normal), insuficiência renal progressiva e edema pulmonar.

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