Pré-eclâmpsia Sobreposta: Diagnóstico e Manejo na Gestação

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta de 35 anos, idade gestacional de 36 semanas, está em uma consulta na atenção básica e apresenta o registro das consultas anteriores no cartão de pré-natal na figura abaixo. Os exames no início do pré-natal apresentavam hemoglobina 12,3 g/dL, plaquetas 230.000/mm³, creatinina 0,7 mg/dL, proteinúria 0,2g / 24 horas, urocultura negativa. Ao exame físico durante a consulta: bom estado geral, corada, hidratada, eupneica, PA 145 x 95 mmHg, pulso 84 bpm, peso 86 kg. Edema simétrico de membros inferiores 2+/4+, sem sinais de trombose venosa. Abdome: altura uterina 33 cm, BCF presente, dinâmica uterina ausente. Realizou os seguintes exames na data da consulta: Proteinúria 0,7 g/24 horas, creatinina 1,0 mg/dL. Diante do apresentado, o diagnóstico correto desta gestante é:

Alternativas

  1. A) Hipertensão arterial crônica parcialmente compensada.
  2. B) Pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade.
  3. C) Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.
  4. D) Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica.

Pérola Clínica

PA ≥ 140/90 mmHg + proteinúria nova/piora após 20 semanas em hipertensa crônica = Pré-eclâmpsia sobreposta.

Resumo-Chave

O diagnóstico de pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica é feito quando uma gestante com hipertensão pré-existente desenvolve proteinúria nova ou piora da proteinúria após 20 semanas de gestação, ou apresenta sinais de gravidade. A elevação da creatinina e da proteinúria são marcadores importantes.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica é uma complicação grave da gestação, que ocorre em mulheres com hipertensão arterial pré-existente. É definida pelo desenvolvimento de proteinúria nova ou piora da proteinúria já existente após 20 semanas de gestação, ou pelo surgimento de sinais de gravidade, como disfunção orgânica materna ou restrição de crescimento fetal. Sua prevalência é significativa em gestantes hipertensas e está associada a piores desfechos maternos e perinatais. O diagnóstico diferencial é crucial. A paciente do caso apresenta hipertensão crônica (PA 145x95 mmHg em 36 semanas, com histórico de consultas anteriores e exames iniciais sem proteinúria significativa) e desenvolveu proteinúria de 0,7 g/24h (era 0,2g/24h) e elevação da creatinina de 0,7 para 1,0 mg/dL. Esses achados, especialmente a piora da proteinúria e a elevação da creatinina após 20 semanas, são diagnósticos de pré-eclâmpsia sobreposta. A presença de edema não é um critério diagnóstico isolado. O manejo da pré-eclâmpsia sobreposta é complexo e visa otimizar a saúde materna e fetal, muitas vezes culminando na interrupção da gestação. O acompanhamento rigoroso da pressão arterial, função renal, contagem de plaquetas e bem-estar fetal é mandatório. A decisão sobre o momento do parto depende da idade gestacional, gravidade da doença e condições maternas e fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar pré-eclâmpsia sobreposta?

Os critérios incluem hipertensão crônica pré-existente, desenvolvimento de proteinúria nova (>0,3g/24h) ou piora da proteinúria após 20 semanas de gestação, ou surgimento de sinais de gravidade como elevação da creatinina, plaquetopenia, dor epigástrica, cefaleia ou distúrbios visuais.

Como diferenciar pré-eclâmpsia sobreposta de hipertensão gestacional?

A hipertensão gestacional surge após 20 semanas sem proteinúria. A pré-eclâmpsia sobreposta ocorre em gestantes com hipertensão crônica prévia, com o surgimento de proteinúria ou sinais de gravidade.

Quais exames são importantes para monitorar a pré-eclâmpsia sobreposta?

Exames importantes incluem monitoramento da pressão arterial, proteinúria de 24 horas, creatinina sérica, plaquetas, enzimas hepáticas e avaliação do bem-estar fetal (cardiotocografia, ultrassom com doppler).

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