Pré-eclâmpsia Sobreposta: Diagnóstico e Manejo na Gestação

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2022

Enunciado

Considere que uma paciente de 38 anos de idade, secundigesta, está com sete semanas de gestação e é portadora de hipertensão arterial crônica desde os 28 anos de idade. Comparece à Unidade Básica de Saúde para iniciar acompanhamento pré-natal. Trouxeresultado de exame de proteinúria de 24 horas realizado na última semana: excreção de 550 mg de proteína em 24 horas. Está em uso de Captopril 50 mg / dia. A medida da PA hoje é 120 x 80 mmHg. Com relação a esse caso clínico, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A excreção urinária de proteína de 550 mg em 24 horas é considerada normal no primeiro trimestre de gestação.
  2. B) A dose de Captopril está adequada e deverá ser mantida, já que se obteve um controle satisfatório dos níveis pressóricos.
  3. C) Paciente poderá se beneficiar do uso de AAS 200 mg, a partir de 30 semanas de gestação, com o objetivo de evitar pré-eclâmpsia.
  4. D) O agravamento da proteinúria e / ou descontrole dos níveis pressóricos na segunda metade da gestação poderá(ão) sugerir pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica.

Pérola Clínica

HAS crônica + proteinúria >300mg/24h na 2ª metade gestação → pré-eclâmpsia sobreposta.

Resumo-Chave

A proteinúria de 550 mg/24h no primeiro trimestre em paciente com HAS crônica já é patológica e indica risco. O Captopril é contraindicado na gestação. O agravamento dos sintomas na segunda metade da gestação é crucial para o diagnóstico de pré-eclâmpsia sobreposta.

Contexto Educacional

A hipertensão arterial crônica na gestação é definida como hipertensão presente antes da gravidez ou diagnosticada antes de 20 semanas de gestação. É uma condição que aumenta significativamente os riscos maternos e fetais, incluindo o desenvolvimento de pré-eclâmpsia sobreposta, restrição de crescimento intrauterino e parto prematuro. O acompanhamento pré-natal rigoroso é fundamental para identificar precocemente complicações. A pré-eclâmpsia sobreposta ocorre quando uma gestante com HAS crônica desenvolve novos sinais de pré-eclâmpsia, como proteinúria significativa (>300mg/24h) após 20 semanas de gestação, ou o surgimento de sinais de gravidade. A fisiopatologia envolve disfunção endotelial e má perfusão placentária. O diagnóstico diferencial com HAS crônica com proteinúria preexistente é crucial, sendo o agravamento da proteinúria ou o surgimento de novos sintomas a chave. O tratamento da HAS crônica na gestação envolve a substituição de anti-hipertensivos contraindicados (como IECA e BRA) por opções seguras (metildopa, nifedipino, labetalol). A prevenção de pré-eclâmpsia com AAS é indicada para pacientes de alto risco. O manejo da pré-eclâmpsia sobreposta exige monitoramento intensivo e, muitas vezes, a resolução da gestação, dependendo da idade gestacional e da gravidade do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia sobreposta?

Pré-eclâmpsia sobreposta é diagnosticada em gestantes com HAS crônica que desenvolvem proteinúria nova ou agravamento da proteinúria preexistente (>300mg/24h) após 20 semanas, ou surgimento de sinais de gravidade.

Por que o Captopril é contraindicado na gravidez?

Inibidores da ECA, como o Captopril, são teratogênicos, especialmente no segundo e terceiro trimestres, podendo causar anomalias renais fetais, oligodrâmnio e restrição de crescimento.

Quando iniciar AAS para prevenção de pré-eclâmpsia?

O AAS (100-150 mg/dia) é recomendado para prevenção de pré-eclâmpsia em pacientes de alto risco, iniciado entre 12 e 16 semanas de gestação e mantido até o parto.

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