Pré-eclâmpsia Sobreposta: Diagnóstico e Rastreio de HELLP

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente de 32 anos de idade, G1P0, com diabetes mellitus (DM) tipo 1, em uso de insulina, iniciou acompanhamento pré-natal de alto risco com 10 semanas de idade gestacional, calculada a partir da data da última menstruação (DUM) e confirmada por ecografia realizada com oito semanas e dois dias. Durante a primeira consulta de pré-natal, apresentou primeira medida de PA = 150 mmHg x 85 mmHg. Após o período adequado de repouso, ao final da consulta, a medida foi confirmada, com valores de PA = 140 mmHg x 92 mmHg. A paciente recebeu diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica e foi iniciada metildopa 250 mg, de oito em oito horas, para controle pressórico, bem como tomadas as condutas pertinentes ao período gestacional e às demais comorbidades apresentadas. Com 30 semanas de idade gestacional, a paciente passou a apresentar descontrole da pressão arterial, a despeito do ajuste das medicações antihipertensivas. Foi realizada proteinúria de 24 horas, com resultado 450 mg/24 horas.Tendo em vista esse caso clínico e os conhecimentos médicos correlatos, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A paciente apresenta diagnóstico provável de pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica e, para melhor caracterização do diagnóstico, deveria ter sido solicitada proteinúria de Bence Jones quando do diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica em razão do antecedente de DM tipo 1.
  2. B) A administração diária de AAS em alta dosagem (275 mg a 500 mg), iniciada antes das 16 semanas de idade gestacional, poderia ser indicada para essa paciente como medida de redução de risco para préeclâmpsia.
  3. C) Fazem parte dos exames laboratoriais para avaliação mais abrangente de gravidade e diagnóstico precoce de síndrome HELLP na paciente mencionada: hemograma completo, ácido úrico, TGO, TGP, creatinina, bilirrubina total e frações e DHL.
  4. D) O descolamento prematuro de placenta é complicação possível quando da persistência de controle pressórico adequado, consistindo em urgência obstétrica com baixas taxas de morbimortalidade maternofetal.
  5. E) A prescrição mais adequada para a paciente em questão seria o inibidor da enzima conversora de angiotensina (IECA), pois, além de ser mais eficaz do que a metildopa para o controle pressórico, também é capaz de promover nefroproteção nas pacientes portadoras de DM.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia sobreposta em hipertensa crônica com DM1 → monitorar HELLP com hemograma, função hepática e renal, DHL.

Resumo-Chave

Pacientes com hipertensão crônica e diabetes tipo 1 têm alto risco para pré-eclâmpsia sobreposta e suas complicações, como a síndrome HELLP. A monitorização laboratorial abrangente é crucial para o diagnóstico precoce e manejo adequado dessas condições graves.

Contexto Educacional

A gestação em pacientes com comorbidades como Diabetes Mellitus tipo 1 e hipertensão arterial crônica é considerada de alto risco, exigindo acompanhamento pré-natal especializado. Essas pacientes apresentam um risco significativamente aumentado de desenvolver complicações obstétricas, sendo a pré-eclâmpsia sobreposta uma das mais graves. A hipertensão crônica é definida por PA ≥ 140/90 mmHg antes da gestação ou antes de 20 semanas, ou que persiste após 12 semanas pós-parto. A pré-eclâmpsia sobreposta ocorre quando uma gestante com hipertensão crônica desenvolve proteinúria nova (≥ 300 mg/24h) ou piora da proteinúria preexistente após 20 semanas de gestação, ou apresenta sinais de gravidade. A síndrome HELLP (Hemólise, Enzimas hepáticas elevadas, Plaquetopenia) é uma forma grave de pré-eclâmpsia, com alta morbimortalidade materno-fetal. Seu diagnóstico precoce é fundamental e requer uma bateria de exames laboratoriais, incluindo hemograma completo (para avaliar plaquetas e sinais de hemólise), testes de função hepática (TGO, TGP, bilirrubinas) e DHL. O ácido úrico também é um marcador de gravidade. O manejo inclui controle pressórico rigoroso (metildopa é uma droga de escolha), profilaxia com AAS em baixa dose para pacientes de alto risco (iniciada antes de 16 semanas), e monitorização constante para sinais de progressão da doença. IECA e BRA são contraindicados na gestação devido aos seus efeitos teratogênicos. O descolamento prematuro de placenta é uma complicação grave da hipertensão na gestação, mas a alternativa D estava incorreta ao afirmar 'baixas taxas de morbimortalidade'.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia sobreposta?

A pré-eclâmpsia sobreposta é diagnosticada em gestantes com hipertensão crônica que desenvolvem proteinúria nova ou piora da proteinúria preexistente após 20 semanas de gestação, ou novos sinais de gravidade.

Quais exames são essenciais para investigar a síndrome HELLP?

Para investigar a síndrome HELLP, são essenciais: hemograma completo (plaquetopenia), TGO/TGP (elevação de enzimas hepáticas), DHL (hemólise), bilirrubina total e frações, e creatinina para função renal.

Por que o AAS é indicado na profilaxia da pré-eclâmpsia?

O AAS em baixa dosagem, iniciado antes das 16 semanas, é indicado para pacientes de alto risco (como as com DM1 e hipertensão crônica) para reduzir o risco de pré-eclâmpsia, atuando na inibição da agregação plaquetária e na modulação de substâncias vasoativas.

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