Pré-eclâmpsia Sobreposta: Diagnóstico e Manejo na Gestação

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 35a, G3P2A0, idade gestacional de 37 semanas, refere que há dois dias vem apresentando edema de membros inferiores, dor de estômago e alguns episódios de cefaleia, principalmente nucal. Antecedentes: hipertensão arterial há 10 anos, em uso regular de metildopa 750mg/dia. Exame físico: PA=152x92mmHg; FC=103bpm; altura uterina=32cm; dinâmica uterina=ausente; movimentos fetais=presentes; BCF=148bpm; edema em membros inferiores= 2+/4+. A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA E A CONDUTA SÃO:

Alternativas

  1. A) Pré-eclâmpsia; solicitar hemograma, creatinina, proteinúria e enzimas hepáticas, realizar cardiotocografia e indicar cesárea.
  2. B) Hipertensão arterial crônica não controlada; ajustar anti-hipertensivo, acompanhar em ambulatório de pré-natal e indicar parto com 38 semanas.
  3. C) Hipertensão arterial crônica com pré-eclâmpsia sobreposta; solicitar hemograma, creatinina, proteinúria e enzimas hepáticas, realizar cardiotocografia e avaliar indução de parto.
  4. D) Hipertensão arterial crônica controlada e enxaqueca; prescrever analgésico, acompanhar em ambulatório de pré-natal e indicar parto com 39 semanas.

Pérola Clínica

HÁ crônica + PA ≥ 140/90 após 20 sem + proteinúria nova/agravada OU sinais de gravidade → Pré-eclâmpsia sobreposta.

Resumo-Chave

A paciente já tinha hipertensão crônica e agora, com 37 semanas, apresenta PA elevada (152x92mmHg) e sintomas como cefaleia e dor epigástrica, que são sinais de gravidade de pré-eclâmpsia. Isso configura pré-eclâmpsia sobreposta. A conduta envolve avaliação laboratorial completa e planejamento do parto.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia sobreposta é uma complicação grave da gestação que ocorre em mulheres com hipertensão arterial crônica. É definida pelo desenvolvimento de proteinúria nova ou agravamento de proteinúria preexistente após 20 semanas de gestação, ou pelo surgimento de sinais de gravidade da pré-eclâmpsia. Sua prevalência é maior em pacientes com hipertensão crônica de longa data ou com comorbidades. O diagnóstico requer atenção aos sinais e sintomas, como elevação da pressão arterial acima dos níveis habituais da paciente, cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica e edema. A investigação laboratorial é fundamental, incluindo hemograma (para plaquetas), função renal (creatinina, ácido úrico), função hepática (transaminases) e proteinúria de 24 horas ou relação proteína/creatinina urinária. A avaliação do bem-estar fetal com cardiotocografia e ultrassonografia com Doppler é crucial. O manejo da pré-eclâmpsia sobreposta visa prevenir complicações maternas e fetais. Em gestações a termo (≥ 37 semanas), a indução do parto é frequentemente a conduta mais apropriada, após estabilização materna e avaliação fetal. O controle rigoroso da pressão arterial e o monitoramento contínuo são essenciais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar pré-eclâmpsia sobreposta?

O diagnóstico ocorre em gestantes com hipertensão crônica que desenvolvem proteinúria nova ou agravada após 20 semanas de gestação, ou que apresentam sinais de gravidade da pré-eclâmpsia.

Quais são os sinais de gravidade da pré-eclâmpsia?

Sinais de gravidade incluem PA ≥ 160/110 mmHg, cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal e edema pulmonar.

Qual a conduta inicial para pré-eclâmpsia sobreposta em gestação a termo?

A conduta inicial envolve avaliação laboratorial (hemograma, função renal e hepática, proteinúria), avaliação do bem-estar fetal (cardiotocografia) e, dependendo da gravidade e idade gestacional, a avaliação para indução do parto.

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