UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Mulher, 28a, G2P1C1A0, vem para primeira consulta de pré-natal às 14 semanas de gestação. Antecedente Pessoais: hipertensão arterial crônica e eclampsia às 28 semanas da primeira gestação, há 3 anos.A CONDUTA É:
Gestante alto risco pré-eclâmpsia (HAS crônica + eclampsia prévia) → iniciar AAS + Carbonato de Cálcio.
Pacientes com hipertensão arterial crônica e histórico de eclampsia prévia são consideradas de alto risco para o desenvolvimento de pré-eclâmpsia. A profilaxia recomendada inclui o uso de Ácido Acetilsalicílico (AAS) em baixa dose, iniciado antes de 16 semanas, e suplementação de cálcio, especialmente em populações com baixa ingestão dietética.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, e sua prevenção é um pilar fundamental no acompanhamento pré-natal de gestantes de alto risco. Pacientes com hipertensão arterial crônica e histórico de eclampsia prévia representam um grupo de risco elevado que exige intervenções profiláticas precoces e eficazes. As diretrizes atuais recomendam fortemente a profilaxia com Ácido Acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia), iniciado idealmente antes da 16ª semana de gestação e mantido até o parto. O AAS atua modulando a resposta inflamatória e a função plaquetária, melhorando a perfusão placentária. Além disso, a suplementação de cálcio (1-2 g/dia) é indicada para gestantes de alto risco, especialmente aquelas com ingestão dietética insuficiente de cálcio, para reduzir o risco de pré-eclâmpsia. O residente deve estar apto a identificar gestantes de alto risco e implementar as medidas profiláticas adequadas, além de realizar um acompanhamento rigoroso para detectar precocemente sinais de desenvolvimento da doença. A compreensão das indicações e mecanismos de ação dessas intervenções é crucial para otimizar os resultados maternos e fetais.
Fatores de risco incluem hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal crônica, histórico de pré-eclâmpsia em gestação anterior, gestação múltipla, obesidade e idade materna avançada.
O AAS em baixa dose atua inibindo a ciclooxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2 (vasoconstritor e agregante plaquetário) e promovendo um equilíbrio com a prostaciclina (vasodilatadora), melhorando a perfusão placentária.
A suplementação de cálcio, especialmente em populações com baixa ingestão dietética, tem demonstrado reduzir o risco de pré-eclâmpsia, embora o mecanismo exato não seja totalmente compreendido, pode estar relacionado à regulação da pressão arterial e função endotelial.
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