SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Nos últimos anos, vários marcadores biofísicos e bioquímicos foram implementados na prática clínica para cálculo de risco do aparecimento de patologias como a préeclâmpsia. Em relação a esse assunto, assinale a alternativa correta.
Prevenção Pré-eclâmpsia → AAS baixa dose < 16 semanas em alto risco (ex: IP artéria uterina > P95) ↓ risco de pré-eclâmpsia e RCF.
O rastreamento de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre, combinando fatores de risco maternos, marcadores bioquímicos e dopplervelocimetria da artéria uterina, permite identificar gestantes de alto risco. Nesses casos, a profilaxia com ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciada antes das 16 semanas, é eficaz na redução da incidência de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. Nos últimos anos, houve um avanço significativo no rastreamento e na prevenção dessa patologia, com a implementação de marcadores biofísicos e bioquímicos que permitem identificar gestantes de alto risco ainda no primeiro trimestre. O rastreamento combinado no primeiro trimestre, que inclui fatores de risco maternos, pressão arterial média, marcadores bioquímicos (como PAPP-A e PlGF) e a dopplervelocimetria das artérias uterinas (avaliando o índice de pulsatilidade e a presença de incisura protodiastólica), é a estratégia mais eficaz. A identificação precoce de gestantes com alto risco permite a implementação de medidas preventivas que podem modificar o curso da doença. A principal estratégia de prevenção para gestantes de alto risco é o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia), iniciado preferencialmente antes das 16 semanas de gestação (idealmente entre 11 e 14 semanas) e mantido até o parto. O AAS atua melhorando a placentação e reduzindo o desequilíbrio entre fatores pró-trombóticos e antitrombóticos, diminuindo significativamente o risco de pré-eclâmpsia precoce e grave, bem como de restrição de crescimento fetal. Residentes devem dominar esses protocolos para otimizar o cuidado pré-natal.
Fatores de risco incluem histórico de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes, doença renal, doenças autoimunes, gestação múltipla, obesidade, idade materna avançada ou muito jovem, e nuliparidade.
O AAS em baixa dose atua inibindo a ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2 (vasoconstritor e agregante plaquetário) e favorecendo o equilíbrio com a prostaciclina (vasodilatadora), melhorando a perfusão placentária.
A dopplervelocimetria da artéria uterina no primeiro trimestre, avaliando o índice de pulsatilidade (IP), é um marcador biofísico importante. Um IP elevado (> P95) indica falha na remodelação das artérias espiraladas e está associado a um risco aumentado de pré-eclâmpsia.
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