Pré-eclâmpsia: Rastreamento e Prevenção com AAS

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024

Enunciado

Nos últimos anos, vários marcadores biofísicos e bioquímicos foram implementados na prática clínica para cálculo de risco do aparecimento de patologias como a préeclâmpsia. Em relação a esse assunto, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O uso de marcadores bioquímicos no segundo trimestre tornou-se imprescindível para a tomada de decisão nos casos de interrupção prematura da gravidez.
  2. B) A avaliação dopplervelocimétrica da artéria uterina no segundo trimestre permite a observação de incisura protodiastólica, que se relaciona com risco aumentado de pré-eclâmpsia.
  3. C) O tratamento da hipertensão gestacional no primeiro trimestre permite a diminuição do risco de préeclâmpsia sobreposta.
  4. D) O uso de ácido acetilsalicílico antes das 16 semanas de gravidez, nos casos de índice de pulsatilidade acima do percentil 95, permite a diminuição do risco de préeclâmpsia e restrição de crescimento precoce.
  5. E) O diagnóstico de complicações da pré-eclâmpsia, como a síndrome Hellp e a eclâmpsia, são desfechos comuns e sem mortalidade aumentada nesses casos.

Pérola Clínica

Prevenção Pré-eclâmpsia → AAS baixa dose < 16 semanas em alto risco (ex: IP artéria uterina > P95) ↓ risco de pré-eclâmpsia e RCF.

Resumo-Chave

O rastreamento de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre, combinando fatores de risco maternos, marcadores bioquímicos e dopplervelocimetria da artéria uterina, permite identificar gestantes de alto risco. Nesses casos, a profilaxia com ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciada antes das 16 semanas, é eficaz na redução da incidência de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. Nos últimos anos, houve um avanço significativo no rastreamento e na prevenção dessa patologia, com a implementação de marcadores biofísicos e bioquímicos que permitem identificar gestantes de alto risco ainda no primeiro trimestre. O rastreamento combinado no primeiro trimestre, que inclui fatores de risco maternos, pressão arterial média, marcadores bioquímicos (como PAPP-A e PlGF) e a dopplervelocimetria das artérias uterinas (avaliando o índice de pulsatilidade e a presença de incisura protodiastólica), é a estratégia mais eficaz. A identificação precoce de gestantes com alto risco permite a implementação de medidas preventivas que podem modificar o curso da doença. A principal estratégia de prevenção para gestantes de alto risco é o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) em baixa dose (geralmente 100-150 mg/dia), iniciado preferencialmente antes das 16 semanas de gestação (idealmente entre 11 e 14 semanas) e mantido até o parto. O AAS atua melhorando a placentação e reduzindo o desequilíbrio entre fatores pró-trombóticos e antitrombóticos, diminuindo significativamente o risco de pré-eclâmpsia precoce e grave, bem como de restrição de crescimento fetal. Residentes devem dominar esses protocolos para otimizar o cuidado pré-natal.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para pré-eclâmpsia?

Fatores de risco incluem histórico de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes, doença renal, doenças autoimunes, gestação múltipla, obesidade, idade materna avançada ou muito jovem, e nuliparidade.

Como o ácido acetilsalicílico (AAS) atua na prevenção da pré-eclâmpsia?

O AAS em baixa dose atua inibindo a ciclo-oxigenase-1 (COX-1) plaquetária, reduzindo a produção de tromboxano A2 (vasoconstritor e agregante plaquetário) e favorecendo o equilíbrio com a prostaciclina (vasodilatadora), melhorando a perfusão placentária.

Qual a importância da dopplervelocimetria da artéria uterina no rastreamento da pré-eclâmpsia?

A dopplervelocimetria da artéria uterina no primeiro trimestre, avaliando o índice de pulsatilidade (IP), é um marcador biofísico importante. Um IP elevado (> P95) indica falha na remodelação das artérias espiraladas e está associado a um risco aumentado de pré-eclâmpsia.

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