Prevenção da Pré-eclâmpsia: Uso de AAS em Gestantes

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020

Enunciado

Uma secundigesta com 23 anos de idade comparece à consulta ambulatorial de pré-natal de alto risco, encaminhada pela Unidade Básica de Saúde. Afirma estar receosa com a gestação atual e refere ter tido, na gravidez anterior, elevação da pressão arterial e convulsão antes do parto, que ocorreu com 37 semanas. No momento, encontra-se com 14 semanas de gestação e sem queixas, não havendo outros antecedentes patológicos. Ao exame físico, mostra-se dentro da normalidade, com PA = 115 x 82 mmHg. Avaliando-se essa história clínica, qual medicamento faz parte da prevenção da condição que a paciente apresentou em sua primeira gestação?

Alternativas

  1. A) Metildopa.
  2. B) Ácido fólico.
  3. C) Progesterona.
  4. D) Ácido acetilsalicílico.

Pérola Clínica

História prévia de pré-eclâmpsia/eclâmpsia → AAS profilático na gestação atual.

Resumo-Chave

Paciente com história de pré-eclâmpsia grave (com convulsão = eclâmpsia) na gestação anterior tem alto risco de recorrência. A profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses, iniciada no primeiro trimestre, é a conduta recomendada para reduzir esse risco.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. A história de pré-eclâmpsia grave, especialmente com eclâmpsia (convulsão), em gestação anterior, confere um risco significativamente elevado de recorrência. A identificação precoce de gestantes de alto risco é fundamental para a implementação de estratégias preventivas eficazes. Nesse cenário, a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses é a intervenção mais bem estabelecida e recomendada. O AAS atua modulando a via da ciclo-oxigenase, promovendo um balanço favorável entre prostaciclina (vasodilatador) e tromboxano A2 (vasoconstritor), o que melhora a perfusão placentária e reduz o risco de disfunção endotelial associada à pré-eclâmpsia. A recomendação é iniciar o AAS entre 12 e 16 semanas de gestação e mantê-lo até o parto. Outras opções de tratamento mencionadas, como a metildopa, são utilizadas para o controle da hipertensão arterial na gestação, mas não para a prevenção da pré-eclâmpsia. O ácido fólico é essencial na prevenção de defeitos do tubo neural, e a progesterona pode ser usada para prevenir parto prematuro em casos selecionados, mas nenhuma dessas é a conduta para prevenir a pré-eclâmpsia em uma paciente de alto risco com histórico de eclâmpsia.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para pré-eclâmpsia?

Fatores de risco incluem história prévia de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes pré-gestacional, doença renal crônica, doenças autoimunes (lúpus), gestação múltipla e obesidade.

Quando e como o ácido acetilsalicílico (AAS) deve ser usado para prevenir a pré-eclâmpsia?

O AAS em baixa dose (geralmente 81-150 mg/dia) deve ser iniciado entre 12 e 16 semanas de gestação e mantido até o parto, em gestantes com um ou mais fatores de alto risco para pré-eclâmpsia.

Qual o mecanismo de ação do AAS na prevenção da pré-eclâmpsia?

O AAS atua inibindo a ciclo-oxigenase, reduzindo a produção de tromboxano A2 (vasoconstritor e agregante plaquetário) e favorecendo a prostaciclina (vasodilatadora e antiagregante), melhorando o balanço entre esses mediadores e a perfusão placentária.

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