Pré-eclâmpsia Pós-parto: Manejo com Sulfato de Magnésio

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 20 anos, interna em trabalho de parto com 36 semanas. Traz carteirinha do pré-natal abaixo representada. Evolui com parto vaginal sem intercorrências. Aproximadamente 40 minutos após o parto a paciente evolui com dor importante em andar superior do abdômen, sudorese, cefaleia occipital, palpitação, agitação psicomotora e alterações visuais. Ao exame físico paciente em regular estado geral, PA 160 x 110 mmHg, FC 100 bpm, abdômen com massa infra umbilical endurecida, pequeno sangramento genital. Qual é a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Derivados do ergot
  2. B) Sulfato de Magnésio.
  3. C) Morfina.
  4. D) Furosemida.
  5. E) Nitroprussiato de sódio.

Pérola Clínica

Hipertensão grave pós-parto + sintomas neurológicos/epigástricos → Pré-eclâmpsia grave/eclâmpsia → Sulfato de Magnésio.

Resumo-Chave

A paciente apresenta um quadro de hipertensão grave pós-parto (PA 160x110 mmHg) associado a sintomas como dor epigástrica, cefaleia, alterações visuais e agitação psicomotora, que são sugestivos de pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia iminente. O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a prevenção e tratamento de convulsões na pré-eclâmpsia/eclâmpsia.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, e suas complicações podem se estender ao período pós-parto. A pré-eclâmpsia pós-parto, ou eclâmpsia puerperal, pode ocorrer até 6 semanas após o parto, sendo mais comum nas primeiras 48-72 horas. É crucial que os profissionais de saúde estejam vigilantes para o diagnóstico e manejo precoce, pois a condição pode evoluir rapidamente para convulsões e outras complicações graves. O quadro clínico da paciente, com hipertensão grave (PA 160x110 mmHg) e sintomas como dor epigástrica, cefaleia occipital, alterações visuais e agitação psicomotora, é altamente sugestivo de pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia iminente. A dor epigástrica é um sinal de alerta para disfunção hepática ou edema capsular, enquanto a cefaleia e as alterações visuais indicam comprometimento neurológico. A massa infra umbilical endurecida com pequeno sangramento genital pode ser um útero contraído, mas não explica os sintomas sistêmicos. A conduta mais adequada e prioritária é a administração de sulfato de magnésio. Este é o agente de primeira linha para a prevenção e tratamento das convulsões na pré-eclâmpsia e eclâmpsia, agindo como um neuroprotetor. Outras medidas incluem o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (como hidralazina, labetalol ou nifedipino) e o monitoramento rigoroso da paciente. Os derivados do ergot são uterotônicos, a morfina é analgésico, furosemida é diurético e nitroprussiato é anti-hipertensivo de uso mais restrito em emergências hipertensivas, mas nenhum deles aborda a prevenção de convulsões como o sulfato de magnésio.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de pré-eclâmpsia pós-parto grave?

Os sinais incluem hipertensão arterial grave (PA ≥ 160/110 mmHg), associada a sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, náuseas, vômitos, edema pulmonar ou alterações laboratoriais (trombocitopenia, disfunção hepática ou renal).

Por que o sulfato de magnésio é a conduta mais adequada neste caso?

O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para a prevenção e tratamento das convulsões na eclâmpsia e pré-eclâmpsia grave. A paciente apresenta um quadro clínico de pré-eclâmpsia grave pós-parto, com risco iminente de convulsão, justificando seu uso imediato.

Quais são os diferenciais para dor abdominal e hipertensão no pós-parto?

Além da pré-eclâmpsia/eclâmpsia, os diferenciais incluem outras causas de hipertensão (hipertensão essencial, feocromocitoma), dor abdominal (ruptura uterina, hematoma de parede, apendicite) e cefaleia (cefaleia pós-raqui, trombose de seio venoso cerebral). No entanto, a constelação de sintomas da paciente aponta fortemente para pré-eclâmpsia grave.

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