Pré-eclâmpsia: Manejo em Gestação Pré-Termo Estável

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta de 36 anos com idade gestacional de 34 semanas está em consulta pré-natal na UBS. Não relata antecedentes pessoais mórbidos. Está sem queixas, no entanto, a medida da PA na consulta foi de 140x100 mmHg (duas medidas após repouso sentada) e o peso corporal aumentou 4 Kg em relação à consulta passada há 20 dias. Traz uma ultrassonografia que mostra idade gestacional compatível com a DUM, líquido amniótico normal e placenta posterior, normoimplantada. Na palpação abdominal percebe-se apresentação cefálica, posição esquerda e escava vazia, altura uterina 33 cm e BCF presente e rítmico. Apresenta edema depressível e indolor de membros inferiores 1+/4. Fez teste de proteinúria de fita > 1+. Diante desse quadro, com a paciente já internada, assinale a conduta adequada.

Alternativas

  1. A) Avaliar se não existem alterações de exames laboratoriais que indiquem gravidade do quadro materno ou perda da vitalidade fetal. Prescrever corticosteroide para maturação pulmonar fetal, 750 mg de metildopa por dia e induzir o parto vaginal quando a PA atingir 120x80 mmHg.
  2. B) Avaliar se não existem sinais laboratoriais de gravidade materna e se estiver normal, administrar 750 mg de metildopa/dia e diurético poupador de potássio por via oral. Indicar o parto cesáreo com 40 semanas após a PA diastólica ter reduzido em 30%.
  3. C) Avaliar se não existe comprometimento das condições fetais e se estiver normal, administrar diurético tiazídico para redução do edema materno, sedação com benzodiazepínicos e 750 mg de metildopa por dia. Induzir o parto vaginal quando a PA diastólica reduzir 20%.
  4. D) Avaliar se não existem alterações de exames laboratoriais que indiquem gravidade do quadro materno ou perda da vitalidade fetal. Prescrever benzodiazepínicos e 750mg de metildopa por dia. Aguardar a 37a semana se as condições maternas e fetais se mantiverem estáveis e PA reduzir em 20%.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia <37 sem: avaliar gravidade materna/fetal, maturação pulmonar, anti-hipertensivo (metildopa), manejo expectante se estável.

Resumo-Chave

Em gestantes com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade antes de 37 semanas, a conduta inicial envolve a internação para monitorização rigorosa materno-fetal, avaliação laboratorial para descartar gravidade, uso de anti-hipertensivos se necessário (como metildopa) e administração de corticoide para maturação pulmonar fetal. O objetivo é prolongar a gestação até 37 semanas, se as condições maternas e fetais permitirem.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva gestacional que se manifesta após a 20ª semana de gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria, podendo evoluir para formas graves com comprometimento multissistêmico. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal, exigindo manejo cuidadoso e individualizado. O diagnóstico precoce e a estratificação de risco são fundamentais para definir a conduta. Em gestantes com pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade e idade gestacional inferior a 37 semanas, a conduta inicial geralmente envolve internação hospitalar para monitorização rigorosa da mãe e do feto. Isso inclui avaliação laboratorial para descartar sinais de gravidade (disfunção hepática, renal, plaquetopenia), monitorização da pressão arterial, avaliação da vitalidade fetal (cardiotocografia, perfil biofísico, dopplervelocimetria) e administração de corticosteroides para maturação pulmonar fetal. O tratamento anti-hipertensivo, com medicamentos como a metildopa, nifedipino ou hidralazina, é indicado para manter a pressão arterial em níveis seguros (geralmente entre 140/90 e 155/105 mmHg), evitando tanto a hipertensão descontrolada quanto a hipotensão que poderia comprometer a perfusão placentária. O manejo expectante visa prolongar a gestação até a 37ª semana, se as condições maternas e fetais se mantiverem estáveis, para otimizar os resultados neonatais. A interrupção da gestação é indicada em caso de pré-eclâmpsia grave ou deterioração das condições maternas ou fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia?

Pré-eclâmpsia é diagnosticada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões após 20 semanas de gestação) associada a proteinúria (≥ 300 mg/24h ou proteinúria de fita ≥ 1+).

Qual a importância da maturação pulmonar fetal na pré-eclâmpsia pré-termo?

A maturação pulmonar fetal com corticosteroides é crucial em gestações pré-termo (<37 semanas) com risco de parto iminente, para reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório neonatal.

Quando o manejo expectante é apropriado na pré-eclâmpsia?

O manejo expectante é apropriado em casos de pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, especialmente antes de 37 semanas, visando prolongar a gestação para otimizar a maturidade fetal, desde que as condições maternas e fetais permaneçam estáveis.

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