INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Mulher com 23 anos de idade, primigesta, idade gestacional de 30 semanas, vem à quarta consulta de pré-natal. Não relata nenhuma queixa. Ao exame clínico, apresenta pressão arterial = 140x90 mmHg (em decúbito lateral esquerdo), pulso = 80 bpm, altura uterina = 31 cm e frequência cardíaca fetal = 140 bpm. Traz exame de proteinúria de 24 horas com valor de 412 mg/24h. Hemograma apresentando contagem de plaquetas de 220.000/mm³. No cartão da gestante, estão anotadas as seguintes medidas da pressão arterial registradas nas consultas anteriores: 110x70 mmHg, 120x70 mmHg e 140x100 mmHg. O diagnóstico correto é:
PA ≥ 140/90 + Proteinúria ≥ 300mg/24h (sem sinais de gravidade) = Pré-eclâmpsia leve.
O diagnóstico de pré-eclâmpsia baseia-se no surgimento de hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. A ausência de critérios de gravidade define a forma leve.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia placentária, caracterizada por disfunção endotelial generalizada. O caso apresenta uma primigesta com aumento pressórico (140x90 mmHg) e proteinúria de 412 mg/24h, o que preenche os critérios clássicos. É fundamental distinguir da hipertensão gestacional (onde não há proteinúria) e da hipertensão crônica (que existe antes de 20 semanas). Embora o termo 'pré-eclâmpsia leve' tenha sido substituído em algumas diretrizes recentes por 'pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade', ele ainda é amplamente utilizado em concursos para descrever pacientes com níveis pressóricos moderados e ausência de lesão de órgão-alvo iminente.
A pré-eclâmpsia é definida pela presença de hipertensão arterial (PA ≥ 140x90 mmHg) identificada pela primeira vez após a 20ª semana de gestação, associada obrigatoriamente à proteinúria (≥ 300 mg em urina de 24 horas ou relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3). Na ausência de proteinúria, o diagnóstico pode ser feito se houver disfunção orgânica ou de órgãos alvo.
A pré-eclâmpsia é considerada grave se apresentar qualquer um dos seguintes: PA sistólica ≥ 160 ou diastólica ≥ 110 mmHg; sinais de encefalopatia (cefaleia, distúrbios visuais); dor epigástrica; edema agudo de pulmão; plaquetopenia (< 100.000); elevação de enzimas hepáticas (dobro do normal) ou creatinina > 1,1 mg/dL. No caso clínico, a paciente está estável e sem esses sinais, sendo classificada como leve.
A conduta na pré-eclâmpsia leve é expectante até a 37ª semana, com monitoramento materno e fetal rigoroso. Não há indicação de anti-hipertensivos se a PA permanecer abaixo de 150/100 mmHg, nem de sulfato de magnésio profilático (reservado para formas graves). O objetivo é evitar a progressão para formas graves e garantir a maturidade fetal.
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