Pré-eclâmpsia Grave: Abordagem Inicial e Manejo Fetal

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Para responder à questão, leia o caso a seguir.C.S.A., 24 anos, primigesta, IG 31 semanas, encaminhada do pré-natal por elevação de PA, assintomática. Nega hipertensão prévia. Sem uso de medicação anti-hipertensiva. Ao exame físico: PA 150 x 100 mmHg, AU: 25 cm, DU ausente, colo uterino impérvio, BCF 158 bpm. Ultrassom pela medicina fetal do mesmo dia demonstrando feto em apresentação cefálica, peso fetal no percentil 3, diástole zero em artéria umbilical, ducto venoso IP: 0,60.Assinale a primeira abordagem que deve ser feita diante do caso a seguir.

Alternativas

  1. A) Metildopa, sulfato de magnésio e rotina pré-eclâmpsia.
  2. B) Hidralazina EV, corticoide e sulfato de magnésio.
  3. C) Levomepromazina, hidralazina EV e rotina pré- -eclâmpsia.
  4. D) Anlodipino, corticoide, rotina pré-eclâmpsia, sulfato de magnésio e SVD.
  5. E) Anlodipino, rotina pré-eclâmpsia, controle de PA e avaliação da vitalidade fetal.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia + RCIU grave + diástole zero/IP ducto venoso alterado → Internação, controle PA, rotina pré-eclâmpsia, avaliação fetal intensiva.

Resumo-Chave

A paciente apresenta pré-eclâmpsia com sinais de gravidade (PA elevada, RCIU grave com diástole zero em artéria umbilical e IP alterado no ducto venoso), exigindo internação imediata para controle da pressão arterial (com anti-hipertensivo como anlodipino), investigação completa da pré-eclâmpsia e monitorização intensiva da vitalidade fetal, visando prolongar a gestação com segurança.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo. A paciente do caso apresenta pré-eclâmpsia com sinais de gravidade, evidenciados pela PA elevada (150x100 mmHg) e, crucialmente, por sinais de comprometimento fetal grave, como restrição de crescimento intrauterino (RCIU) no percentil 3 e alterações no Doppler da artéria umbilical (diástole zero) e ducto venoso (IP alterado). Essas alterações doppler indicam redistribuição do fluxo sanguíneo fetal e hipóxia. A primeira abordagem em um caso de pré-eclâmpsia grave com comprometimento fetal deve ser a internação hospitalar para monitoramento intensivo materno e fetal. O controle da pressão arterial é fundamental para prevenir complicações maternas graves, como AVC. O anlodipino é uma opção segura e eficaz para o manejo da hipertensão na gestação. Simultaneamente, deve-se iniciar a "rotina de pré-eclâmpsia", que inclui exames laboratoriais para avaliar função renal, hepática, plaquetas e proteinúria, a fim de classificar a gravidade e monitorar a evolução da doença. A avaliação da vitalidade fetal é contínua e intensiva, incluindo cardiotocografia, perfil biofísico e Doppler seriado. A decisão sobre o momento do parto é complexa e balanceia os riscos da prematuridade com os riscos da manutenção da gestação em um ambiente intrauterino hostil. Em casos de prematuridade extrema (como 31 semanas), a administração de corticoides para maturação pulmonar fetal é indicada, e o sulfato de magnésio para neuroproteção fetal e prevenção de eclâmpsia materna deve ser considerado, mas a estabilização materna e a avaliação fetal são as prioridades iniciais.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de gravidade na pré-eclâmpsia que exigem internação e monitoramento?

Sinais de gravidade incluem pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, proteinúria maciça, sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal e restrição de crescimento fetal grave com doppler alterado.

Qual a importância da diástole zero na artéria umbilical e do IP alterado no ducto venoso?

A diástole zero na artéria umbilical indica aumento da resistência placentária e comprometimento fetal grave, enquanto um Índice de Pulsatilidade (IP) alterado no ducto venoso é um sinal tardio de centralização e sofrimento fetal, indicando alto risco de acidose e óbito.

Qual o papel do anlodipino no tratamento da hipertensão na gestação?

O anlodipino é um bloqueador dos canais de cálcio que pode ser utilizado para controle da hipertensão na gestação, incluindo a pré-eclâmpsia. É eficaz na redução da pressão arterial e considerado seguro para uso materno e fetal, sendo uma opção para o manejo crônico ou agudo da hipertensão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo