Pré-eclâmpsia Grave: Interrupção da Gravidez e Corticoide

HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2020

Enunciado

Uma gestante de 26 anos de idade, primípara, iniciou acompanhamento pré-natal já com trinta e duas semanas de gestação. Negou quaisquer diagnósticos prévios e uso contínuo de medicações. A primeira avaliação médico evidenciou pressão arterial de 150/90 mmHg. Foram solicitados exames complementares. Na segunda avaliação, já com 35 semanas de gestação, a pressão arterial da paciente foi aferida em 160/100 mmHg e os exames laboratoriais evidenciaram creatinina: 1,3 mg/dl e plaquetas: 95.000. Não foi evidenciado proteinúria. Com base nesse caso hipotético, julgue o item a seguir. Está indicada para a paciente a interrupção da gravidez após 24-48 h de uso de corticoide.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (sem proteinúria) com 35 semanas → Interrupção imediata, sem necessidade de corticoide para maturação pulmonar.

Resumo-Chave

A paciente apresenta pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg ou disfunção de órgãos-alvo como plaquetopenia e disfunção renal, mesmo sem proteinúria). Com 35 semanas, a interrupção da gravidez é indicada, mas a administração de corticoide para maturação pulmonar não é rotineira após 34 semanas, a menos que haja risco iminente de parto prematuro.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma condição hipertensiva da gravidez que pode evoluir para formas graves, com risco de morbimortalidade materna e fetal. O diagnóstico de pré-eclâmpsia grave é feito pela presença de hipertensão arterial significativa (PA ≥ 160/110 mmHg) ou pela associação de hipertensão com sinais de disfunção de órgãos-alvo, como plaquetopenia, disfunção renal, disfunção hepática, edema pulmonar ou sintomas neurológicos, mesmo na ausência de proteinúria. No caso apresentado, a paciente com 35 semanas de gestação, PA 160/100 mmHg, creatinina elevada e plaquetopenia, preenche critérios para pré-eclâmpsia grave. A conduta principal nesses casos é a interrupção da gravidez, que é o tratamento definitivo. A administração de corticoide para maturação pulmonar fetal (betametasona ou dexametasona) é indicada em gestações entre 24 e 34 semanas, quando há risco iminente de parto prematuro. No entanto, após 34 semanas de gestação, o benefício do corticoide para maturação pulmonar é limitado e não justifica o atraso na interrupção da gravidez em um quadro de pré-eclâmpsia grave, onde a prioridade é a estabilização materna e a resolução da doença. Portanto, a afirmação de que "está indicada a interrupção após 24-48h de uso de corticoide" está incorreta para esta idade gestacional.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por PA ≥ 160/110 mmHg em duas aferições com 4 horas de intervalo, ou PA ≥ 140/90 mmHg associada a sintomas graves (cefaleia, distúrbios visuais, epigastralgia), disfunção de órgãos-alvo (creatinina >1,1 mg/dL ou duplicação, plaquetas <100.000/mm³, enzimas hepáticas elevadas, edema pulmonar, oligúria) ou proteinúria ≥ 5g/24h.

A proteinúria é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

Não. Embora a proteinúria seja um critério clássico, a pré-eclâmpsia grave pode ser diagnosticada na ausência de proteinúria se houver hipertensão e disfunção de órgãos-alvo, como plaquetopenia e disfunção renal, como no caso apresentado.

Quando o corticoide para maturação pulmonar fetal é indicado na pré-eclâmpsia?

O corticoide (betametasona ou dexametasona) é indicado para maturação pulmonar fetal em gestações entre 24 e 34 semanas, quando há risco de parto prematuro. Após 34 semanas, o benefício é limitado e a interrupção da gravidez é prioritária em casos de pré-eclâmpsia grave, sem a necessidade de aguardar o efeito do corticoide.

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