Diagnóstico de Pré-eclâmpsia Grave: Critérios e Manejo Clínico

HEETSHL - Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente Gesta 1 Para 0, Aborto 0, Idade gestacional 37 semanas e 5 dias. Queixas de cefaléia, escotomas e epigastralgia. Cartão de pré-natal mostra que a PA estava normal até a 28a. semana, elevando-se a partir daquela data. AO EXAME PA 160 x 110, edema de membros inferiores, mãos e face (+++/+4). Altura uterina 37 cm, frequência cardíaca fetal (FCF) 136 bpm, com desaceleração da FCF e retorno rápido para a linha de base após a contração. Reflexo patelar exacerbado.Dinâmica uterina 4 x 10 minutos (45 seg, 50 seg, 50 seg,). Toque: Colo fino, esvaecido 85%, 8 cm de dilatação. Feto em apresentação cefálica, plano 0, OEA, bolsa rota no momento do exame com saída de líquido claro com grumos. Labstix: proteinúria (+/+++). Qual o diagnóstico?

Alternativas

  1. A) Gestação de termo, trabalho de parto, amniorrexe prematura, Hipertensão arterial transitória grave.
  2. B) Gestação pré-termo, trabalho de parto, amniorrexe prematura, pré-eclâmpsia sobreposta grave, sofrimento fetal agudo
  3. C) Gestação de termo, trabalho de parto, pré-eclâmpsia grave.
  4. D) Gestação de termo, trabalho de parto, pré-eclâmpsia moderada, amniorrexe prematura.
  5. E) Trabalho de parto prematuro, pré-eclâmpsia moderada.

Pérola Clínica

PA ≥ 160/110 mmHg + Sinais de iminência (cefaléia/escotomas) = Pré-eclâmpsia Grave.

Resumo-Chave

O diagnóstico de pré-eclâmpsia grave é firmado pela hipertensão associada a sinais de disfunção de órgãos-alvo ou sintomas premonitórios, independentemente da magnitude da proteinúria.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica que ocorre após a 20ª semana de gestação. A gravidade é definida por critérios clínicos e laboratoriais. Clinicamente, a paciente apresenta PA 160x110 mmHg e sintomas de iminência (cefaléia, escotomas, epigastralgia e hiperreflexia), o que classifica o quadro como Pré-eclâmpsia Grave. O exame obstétrico revela que a paciente está em trabalho de parto ativo (8 cm de dilatação, dinâmica uterina efetiva) e em uma gestação de termo (37 semanas e 5 dias). As desacelerações da FCF com retorno rápido após a contração (DIP I ou cefálicas) são fisiológicas pelo reflexo vagal da compressão do polo cefálico no canal de parto, não indicando sofrimento fetal agudo. Portanto, o diagnóstico correto é gestação de termo, trabalho de parto e pré-eclâmpsia grave.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de iminência de eclâmpsia?

Os sinais de iminência incluem cefaleia persistente e severa, alterações visuais (escotomas, diplopia, amaurose), dor epigástrica ou no hipocôndrio direito (distensão da cápsula de Glisson) e hiperreflexia tendinosa.

Qual o nível de pressão arterial para definir gravidade na pré-eclâmpsia?

Níveis de pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, confirmados em duas medidas com intervalo de 4 horas (ou em intervalo menor se houver uso de anti-hipertensivos), definem gravidade.

A proteinúria é obrigatória para o diagnóstico de pré-eclâmpsia?

Não. Embora a proteinúria (≥ 300mg em 24h ou relação P/C ≥ 0,3) seja o critério clássico, o diagnóstico pode ser feito na ausência desta se houver hipertensão associada a sinais de gravidade, como plaquetopenia, disfunção renal, disfunção hepática, edema pulmonar ou sintomas visuais/cerebrais.

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