Pré-eclâmpsia Grave: Manejo Inicial e Transferência Urgente

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 35a, G4P3C0A0, na 29ª semana de idade gestacional, procura atendimento em uma maternidade sem qualquer retaguarda para casos graves de gestações de alto risco, queixando-se de cefaleia occipital há 6 horas. Antecedentes pessoais: hipertensão arterial sistêmica crônica. Exame físico: PA = 160 X 100 mmHg; FC = 90 bpm; AU = 27 cm; DU = ausente; BCF = 136bpm; neurológico: reflexos osteotendinosos profundos exaltados com aumento de área reflexógena. A CONDUTA É ADMINISTRAÇÃO DE:

Alternativas

  1. A) Duas ampolas de sulfato de magnésio a 50% intravenoso e transferir a gestante imediatamente para o hospital de referência. 
  2. B) Um comprimido de 25 mg de hidralazina via oral, uma ampola de sulfato de magnésio a 50% e uma ampola de diazepam de 10 mg intravenosos e solicitar transferência após estabilização.
  3. C) Quatro ampolas de sulfato de magnésio a 10% intravenosa, duas ampolas de sulfato de magnésio 50% intramuscular profunda e transferência para hospital de referência.
  4. D) Um comprimido de 25 mg de hidralazina e 10 mg de diazepam via oral, observação no pronto atendimento e transferência se não houver melhora após observação. 

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave com sinais de iminência de eclampsia → Sulfato de magnésio (ataque IV + manutenção IM/IV) e transferência imediata para centro de referência.

Resumo-Chave

Paciente com pré-eclâmpsia grave e sinais de iminência de eclampsia (cefaleia, reflexos exaltados) necessita de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões e transferência urgente para um centro de alto risco, mesmo antes da estabilização completa, devido à gravidade do quadro.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia grave é uma complicação séria da gestação, caracterizada por hipertensão arterial e proteinúria, com sinais de disfunção de órgãos-alvo ou sintomas graves. A paciente do caso apresenta cefaleia occipital e reflexos osteotendinosos exaltados, indicativos de iminência de eclampsia, uma emergência obstétrica que pode levar a convulsões e desfechos materno-fetais adversos. O manejo inicial de uma paciente com pré-eclâmpsia grave e iminência de eclampsia é crucial e deve ser imediato. A administração de sulfato de magnésio é a principal medida para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. O esquema de ataque geralmente envolve uma dose intravenosa seguida de manutenção, que pode ser intravenosa ou intramuscular, dependendo do protocolo e da disponibilidade. Dada a gravidade do quadro e a ausência de retaguarda para casos de alto risco na maternidade atual, a transferência imediata para um hospital de referência com UTI e capacidade para manejar gestações de alto risco é imperativa. A estabilização inicial com sulfato de magnésio deve ser iniciada antes da transferência para proteger a paciente durante o transporte, mas a transferência não deve ser atrasada por uma estabilização completa que pode levar tempo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos de pré-eclâmpsia grave?

Pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por PA ≥ 160/110 mmHg, proteinúria, e/ou sinais e sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, edema pulmonar ou creatinina sérica elevada.

Qual a importância do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas, agindo como um anticonvulsivante e neuroprotetor.

Por que a transferência para um hospital de referência é crucial nesse caso?

A paciente apresenta pré-eclâmpsia grave com iminência de eclampsia em uma maternidade sem retaguarda. A transferência é vital para garantir acesso a cuidados especializados, monitoramento intensivo e manejo de possíveis complicações maternas e fetais.

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