Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2021
Maria, 45 anos, gestante (21 ª semana de gestação), diabética, obesa, está grávida de gêmeos. É recebida no hospital com cefaleia persistente e pressão arterial 160 / 11 O mmHg. Narra ainda que a sua visão está embaçada e que está com uma sensação de ardência no estômago. Após exame verifica-se que a creatinina sérica está acima de 1,2 mg/dl. Diante desse quadro, assinale a alternativa que contemple a hipótese diagnóstica e a conduta indicada.
Pré-eclâmpsia grave: PA ≥ 160/110 mmHg ou sintomas/disfunção orgânica (cefaleia, dor epigástrica, creatinina > 1.1 mg/dL) → Internação e anti-hipertensivos.
A paciente apresenta critérios claros de pré-eclâmpsia grave, incluindo hipertensão severa (PA ≥ 160/110 mmHg), sintomas neurológicos (cefaleia, visão embaçada), dor epigástrica e disfunção renal (creatinina > 1.2 mg/dL). A conduta inicial para pré-eclâmpsia grave é a internação hospitalar para monitoramento e controle da pressão arterial.
A pré-eclâmpsia é uma complicação grave da gravidez, caracterizada por hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação, podendo evoluir para disfunção de múltiplos órgãos. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, sendo crucial seu reconhecimento e manejo adequados para garantir a segurança da mãe e do feto. A identificação precoce de fatores de risco e o acompanhamento pré-natal rigoroso são fundamentais para a prevenção e o diagnóstico oportuno da doença. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal, levando à disfunção endotelial sistêmica, vasoconstrição e ativação inflamatória. O diagnóstico é baseado nos níveis pressóricos e na presença de proteinúria ou sinais de disfunção de órgãos. A diferenciação entre pré-eclâmpsia leve e grave é essencial para guiar a conduta, sendo a forma grave caracterizada por hipertensão mais elevada ou sinais de comprometimento de órgãos-alvo, como os apresentados no caso. O tratamento da pré-eclâmpsia grave exige internação hospitalar, controle rigoroso da pressão arterial com medicações específicas, monitoramento da função renal, hepática e hematológica, além da avaliação do bem-estar fetal. A profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio é padrão. O tratamento definitivo é o parto, cuja decisão sobre o momento e a via deve considerar a idade gestacional, a gravidade da doença e a resposta ao tratamento, visando sempre o melhor desfecho materno-fetal.
A pré-eclâmpsia é considerada grave se a pressão arterial for ≥ 160/110 mmHg em duas ocasiões com 15 minutos de intervalo, ou se houver sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica/hipocôndrio direito, edema pulmonar, disfunção renal (creatinina > 1.1 mg/dL ou duplicação), disfunção hepática, plaquetopenia (< 100.000/mm³) ou hemólise.
A conduta inicial é a internação hospitalar imediata para monitoramento materno-fetal rigoroso, controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (como hidralazina, labetalol ou nifedipino) e profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. A decisão sobre o parto deve ser individualizada, considerando a idade gestacional e a estabilidade clínica.
Fatores de risco incluem primiparidade, gestação múltipla (gemelar), história prévia de pré-eclâmpsia, hipertensão crônica, diabetes mellitus, obesidade, doença renal crônica, doenças autoimunes (como lúpus) e idade materna avançada (> 40 anos).
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