SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2020
Paciente G3P1A1, 37 semanas de gestação, chega à emergência com quadro de epigastralgia, cefaleia, diplopia, náuseas e vômitos. Ao exame: PA 170 x 120 mm Hg, EAS com proteinúria (++/+4), AST 170UI/L e plaquetas de 98.000/mm³). Toque vaginal revela colo dilatado- 2cm, feto em situação longitudinal, cefálico, 136 bpm e ausência de contrações ao exame. Qual é o diagnóstico e a conduta adequada a ser realizada?
Gestante com PA elevada + sintomas graves + plaquetopenia + ↑AST → Síndrome HELLP = Sulfato de Mg + anti-hipertensivo + interrupção.
A paciente apresenta critérios para pré-eclâmpsia grave com sinais de Síndrome HELLP (hemólise, enzimas hepáticas elevadas, plaquetas baixas). A conduta inclui controle da pressão arterial, prevenção de convulsões com sulfato de magnésio e interrupção da gravidez, preferencialmente após estabilização materna.
A pré-eclâmpsia grave e a Síndrome HELLP representam emergências obstétricas com alto risco de morbimortalidade materna e perinatal. A pré-eclâmpsia grave é definida por hipertensão arterial (PA ≥ 160/110 mmHg) associada a proteinúria e/ou sinais de disfunção de órgãos-alvo. A Síndrome HELLP é uma forma grave de pré-eclâmpsia, caracterizada por hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia. O diagnóstico precoce da Síndrome HELLP é crucial, pois seus sintomas podem ser inespecíficos, como epigastralgia, náuseas e cefaleia. A conduta envolve a estabilização da paciente, com controle rigoroso da pressão arterial (usando anti-hipertensivos como hidralazina ou labetalol intravenosos) e prevenção de convulsões com sulfato de magnésio. A interrupção da gravidez é o tratamento definitivo para a Síndrome HELLP. A via de parto (vaginal ou cesariana) dependerá das condições obstétricas e da gravidade do quadro materno. A estabilização materna antes do parto é prioritária, e a administração de corticoide para maturação pulmonar fetal pode ser considerada em gestações prematuras, se o quadro materno permitir um atraso seguro de 24-48 horas.
A Síndrome HELLP é diagnosticada pela presença de hemólise (esquizócitos, bilirrubina indireta >1,2 mg/dL, LDH >600 U/L), enzimas hepáticas elevadas (AST ou ALT >2x o limite superior da normalidade) e plaquetopenia (<100.000/mm³).
O sulfato de magnésio é fundamental para a prevenção e tratamento das convulsões (eclâmpsia), sendo o anticonvulsivante de escolha. Ele não é um anti-hipertensivo, mas atua como neuroprotetor.
A interrupção da gravidez é a única medida definitiva para reverter a Síndrome HELLP. Em gestações >34 semanas, a interrupção é imediata. Entre 24 e 34 semanas, pode-se considerar a estabilização materna e a administração de corticoide para maturação pulmonar fetal antes da interrupção, se as condições maternas permitirem.
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