UFSC/HU - Hospital Universitário Prof. Polydoro Ernani de São Thiago (SC) — Prova 2023
Primigesta de 25 semanas de gestação evoluiu com pré-eclâmpsia grave, síndrome HELLP, hematoma hepático, restrição de crescimento fetal e descolamento prematuro de placenta com feto morto. Após diagnóstico e tratamento precoces e internação em UTI, a paciente recuperou-se.Em relação ao aconselhamento reprodutivo para essa paciente, está correto afirmar que ela:
Histórico de pré-eclâmpsia grave/HELLP → Nova gestação com profilaxia de AAS para reduzir risco de recorrência.
Mulheres com histórico de pré-eclâmpsia grave ou síndrome HELLP têm risco aumentado de recorrência em gestações futuras. No entanto, uma nova gestação é possível, e a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) é recomendada para reduzir significativamente esse risco.
A pré-eclâmpsia grave e a síndrome HELLP são condições hipertensivas da gestação que representam sérios riscos maternos e fetais, podendo levar a complicações como hematoma hepático, restrição de crescimento fetal e descolamento prematuro de placenta. Após uma gestação com tais intercorrências, o aconselhamento reprodutivo é fundamental para que a paciente possa tomar decisões informadas sobre futuras gestações. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial materna e à liberação de fatores antiangiogênicos. Mulheres com histórico de pré-eclâmpsia grave têm um risco significativamente maior de recorrência em gestações subsequentes, além de um risco aumentado de doenças cardiovasculares a longo prazo, o que exige monitoramento contínuo. Apesar dos riscos, uma nova gestação é frequentemente possível. A principal medida preventiva é a profilaxia com ácido acetilsalicílico (AAS) em baixas doses, iniciada no primeiro trimestre (idealmente entre 12 e 16 semanas), que demonstrou reduzir a incidência de pré-eclâmpsia, especialmente a de início precoce e grave. É crucial que a paciente seja acompanhada em um pré-natal de alto risco, com monitoramento rigoroso da pressão arterial e da função renal.
O risco de recorrência de pré-eclâmpsia em gestações subsequentes varia, mas pode ser de 15-20% para pré-eclâmpsia grave e até 25% para síndrome HELLP, sendo maior se a doença ocorreu precocemente na gestação anterior.
O AAS em baixas doses atua inibindo a agregação plaquetária e modulando a produção de prostaciclinas e tromboxano, melhorando a perfusão placentária e reduzindo o risco de disfunção endotelial associada à pré-eclâmpsia.
A profilaxia com AAS (geralmente 81-150 mg/dia) deve ser iniciada idealmente entre 12 e 16 semanas de gestação e mantida até o parto, em pacientes com alto risco de pré-eclâmpsia, conforme as diretrizes atuais.
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