Pré-Eclâmpsia Grave: Critérios Diagnósticos Essenciais

Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015

Enunciado

Primigesta assintomática, normotensa previamente à gestação atual. A partir da 26ª semana passa a apresentar elevação progressiva dos níveis pressóricos. Agora na 32ª semana, com hipertensão severa (sistólica = 180 mmHg, diastólica = 120 mmHg), mantida após observação por seis horas. Apresenta ainda proteinúria severa (5 g/L/24h). O diagnóstico para essa gestante é:

Alternativas

  1. A) pré-eclâmpsia grave.
  2. B) hipertensão gestacional.
  3. C) iminência de eclâmpsia. 
  4. D) hipertensão transitória da gestação. 
  5. E) pré-eclâmpsia leve.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave: Hipertensão (≥160/110 mmHg) + Proteinúria (≥5g/24h) após 20 semanas de gestação.

Resumo-Chave

O quadro de uma primigesta com hipertensão de início recente após 20 semanas de gestação, associada a hipertensão severa (PA ≥ 160/110 mmHg) e proteinúria severa (≥ 5 g/24h), é diagnóstico de pré-eclâmpsia grave. A presença de critérios de gravidade é crucial para o manejo e a decisão sobre o momento do parto.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada pelo desenvolvimento de hipertensão (pressão arterial ≥ 140/90 mmHg) e proteinúria (≥ 0,3 g em 24 horas ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) após a 20ª semana de gestação em mulheres previamente normotensas. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, afetando cerca de 2-8% das gestações. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal, levando à isquemia placentária e à liberação de fatores antiangiogênicos e pró-inflamatórios na circulação materna. Isso causa disfunção endotelial generalizada, resultando em vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação da coagulação, que se manifestam como hipertensão, proteinúria e disfunção de múltiplos órgãos. A pré-eclâmpsia é classificada como grave quando há PA ≥ 160/110 mmHg, proteinúria ≥ 5 g/24h, ou sinais de disfunção orgânica grave. O manejo da pré-eclâmpsia grave é complexo e visa prevenir complicações como eclâmpsia, síndrome HELLP e descolamento prematuro de placenta. Inclui internação hospitalar, monitorização intensiva da mãe e do feto, controle rigoroso da pressão arterial com anti-hipertensivos, profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e, em muitos casos, a interrupção da gestação, que é o único tratamento definitivo. A decisão do momento do parto é individualizada, considerando a idade gestacional, a gravidade da doença e as condições maternas e fetais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia grave?

Os critérios incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas ocasiões com 4 horas de intervalo, proteinúria ≥ 5 g em 24 horas, ou sinais de disfunção orgânica como plaquetas < 100.000, insuficiência renal, edema pulmonar, alterações visuais ou dor epigástrica.

Qual a principal diferença entre hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia?

A principal diferença é a presença de proteinúria (ou outros sinais de disfunção orgânica) na pré-eclâmpsia. A hipertensão gestacional é definida apenas pela elevação da pressão arterial após 20 semanas, sem proteinúria.

Qual a conduta para uma gestante com pré-eclâmpsia grave na 32ª semana?

A conduta envolve internação, monitoramento rigoroso materno e fetal, controle da pressão arterial, profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio e, frequentemente, a interrupção da gestação, considerando a idade gestacional e a estabilidade da mãe e do feto.

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