Pré-eclâmpsia Grave: Manejo e Monitoramento Fetal em Pré-Termo

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Gestante na 29ª semana de gravidez, primípara e assintomática. Chega à emergência obstétrica trazendo a ultrassonografia abaixo. Ao exame clínico, nada digno de nota. Ao exame obstétrico, o feto estava em apresentação cefálica, à direita, longitudinal, alto e móvel e com altura de fundo uterino de 22,0 cm. Pressão arterial de 160 x 120 mmHg. Proteinúria de fita negativa. Batimentos fetais de 120bpm. Maior bolsão de 2,0 cm. Índice de massa corpórea de 28,4 kg/m². Analise o quadro clínico e a foto abaixo e assinale a alternativa que representa a conduta CORRETA mais adequada baseada em evidências.

Alternativas

  1. A) Administrar sulfato de magnésio, avaliar necessidade do anti-hipertensivo (hidralazina) e, por se tratar de uma condição de gravidade materna e fetal, é necessária uma conduta ativa, realizando a cesariana de imediato.
  2. B) Administrar sulfato de magnésio e anti-hipertensivo (hidralazina) e acompanhar a vitalidade fetal com a cardiotocografia diária.
  3. C) Administrar anti-hipertensivo (hidralazina) e acompanhar a vitalidade com o perfil biofísico fetal diário.
  4. D) Administrar sulfato de magnésio, anti-hipertensivo (hidralazina) e conduta ativa, realizando a indução do parto.
  5. E) Administrar sulfato de magnésio, avaliar necessidade do anti-hipertensivo (hidralazina) e acompanhar com dopplervelocimetria do ducto venoso diariamente.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave + oligodramnio em <34 semanas → Estabilizar mãe (MgSO4, anti-hipertensivo) e monitorar feto (doppler ducto venoso) para decidir interrupção.

Resumo-Chave

Em casos de pré-eclâmpsia grave com comprometimento fetal (oligodramnio, RCF) em gestações pré-termo (29 semanas), a prioridade é estabilizar a mãe com sulfato de magnésio e anti-hipertensivos, e monitorar rigorosamente o bem-estar fetal com exames avançados como a dopplervelocimetria do ducto venoso, que auxilia na decisão do momento ideal para a interrupção da gravidez.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica da gravidez caracterizada por hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação, podendo evoluir para formas graves com disfunção de órgãos-alvo maternos e comprometimento fetal. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal que leva à má perfusão placentária, liberação de fatores antiangiogênicos e disfunção endotelial sistêmica. O diagnóstico é clínico, com a medição da pressão arterial e avaliação de proteinúria e outros sinais de gravidade. Em gestações pré-termo, especialmente com comprometimento fetal como oligodramnio e restrição de crescimento, a avaliação da vitalidade fetal é primordial. O manejo da pré-eclâmpsia grave inclui a estabilização da mãe com sulfato de magnésio para prevenção de convulsões e anti-hipertensivos para controle da pressão arterial. A monitorização fetal é intensificada, com exames como cardiotocografia, perfil biofísico fetal e, crucialmente, a dopplervelocimetria, especialmente do ducto venoso, para avaliar o grau de comprometimento e determinar o momento mais seguro para a interrupção da gravidez, equilibrando os riscos da prematuridade com os riscos da doença. Corticosteroides para maturação pulmonar fetal são administrados se a interrupção for esperada em até 7 dias e a idade gestacional for inferior a 34 semanas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

Os critérios incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, proteinúria (ou sinais de disfunção orgânica), e sinais de comprometimento materno ou fetal, como oligodramnio, restrição de crescimento fetal, cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, plaquetopenia, disfunção hepática ou renal.

Por que o sulfato de magnésio é usado na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é administrado na pré-eclâmpsia grave para prevenir e tratar as convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante, reduzindo a excitabilidade neuronal e protegendo o sistema nervoso central.

Qual a importância da dopplervelocimetria do ducto venoso na pré-eclâmpsia?

A dopplervelocimetria do ducto venoso é crucial para avaliar o bem-estar fetal em casos de restrição de crescimento e oligodramnio associados à pré-eclâmpsia. Alterações no fluxo do ducto venoso podem indicar hipóxia e acidose fetal, auxiliando na decisão sobre o momento ideal para a interrupção da gravidez.

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