Pré-Eclâmpsia Grave: Conduta Inicial e Manejo

SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Leia o caso a seguir.Primigesta de 33 semanas, com 35 anos de idade, chega ao pronto atendimento referindo edema progressivo há cerca de uma semana, com piora há dois dias e cefaleia há algumas horas. Relata que vinha realizando o pré-natal regularmente e até então a gestação vinha evoluindo sem intercorrências. No exame físico, verifica-se PA = 160/110 mmHg, AFU = 33 cm, ausência de dinâmica uterina, feto com BCF = 140/m e movimentos presentes, colo fechado, posterior e grosso com altura da apresentação -3 de De Lee.Diante desse quadro, a conduta inicial é?

Alternativas

  1. A) Internação, sulfato de magnésio, hidralazina e avaliação da vitalidade fetal.
  2. B) Internação, sulfato de magnésio, hidralazina, corticoterapia e cesariana.
  3. C) Sulfato de magnésio, hidralazina, observação e alta, se melhorar a pressão arterial.
  4. D) Hidralazina, avaliação da vitalidade fetal, observação e alta, se melhorar a pressão arterial.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (PA ≥160/110 + sintomas) → Internação, sulfato magnésio, anti-hipertensivo (hidralazina), avaliação fetal.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro de pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg e sintomas como cefaleia e edema progressivo). A conduta inicial inclui internação, profilaxia de convulsão com sulfato de magnésio, controle da pressão arterial com hidralazina e avaliação da vitalidade fetal para decidir a conduta obstétrica.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão arterial (PA ≥ 140/90 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou a sinais de disfunção de órgãos-alvo. A pré-eclâmpsia grave, como no caso apresentado, é definida por níveis pressóricos mais elevados (PA ≥ 160/110 mmHg) ou pela presença de sintomas e sinais de gravidade, representando um risco iminente para a mãe e o feto. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial sistêmica, resultando em vasoconstrição, ativação plaquetária e aumento da permeabilidade vascular. O diagnóstico é clínico e laboratorial, e a suspeita deve ser alta em gestantes com hipertensão, edema e sintomas como cefaleia ou distúrbios visuais. A conduta inicial na pré-eclâmpsia grave é a internação hospitalar para monitorização intensiva. O tratamento visa prevenir complicações maternas (eclâmpsia, AVC) e otimizar a condição fetal. Isso inclui a administração de sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões e anti-hipertensivos (como hidralazina, labetalol ou nifedipino) para controle da pressão arterial. A avaliação da vitalidade fetal é essencial para determinar o momento e a via do parto, que é a única cura definitiva para a pré-eclâmpsia. A corticoterapia para maturidade pulmonar fetal deve ser considerada em gestações pré-termo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada pela presença de pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas aferições com intervalo de 15 minutos, ou pela presença de sintomas graves como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, oligúria, edema pulmonar, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas ou insuficiência renal.

Qual a importância do sulfato de magnésio no manejo da pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é a medicação de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, sendo administrado em dose de ataque e manutenção para manter níveis terapêuticos e prevenir complicações neurológicas.

Quando a corticoterapia é indicada em casos de pré-eclâmpsia grave?

A corticoterapia (betametasona ou dexametasona) é indicada em gestações entre 24 e 34 semanas, e em alguns casos até 36 semanas e 6 dias, para promover a maturidade pulmonar fetal, caso o parto seja iminente. No caso apresentado, com 33 semanas, a corticoterapia seria apropriada, mas não é a conduta inicial mais urgente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo