Pré-eclâmpsia Grave: Diagnóstico e Manejo com Sulfato de Magnésio

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Primigesta na 34ª semana refere dor de cabeça e visão embaçada há um dia, associadas a dois episódios de vômito. AP: sem comorbidades clínicas. Exame físico: REG, corada, edema de membros inferiores (2+/4), PA 140 x 90 mmHg. O diagnóstico e a conduta são:

Alternativas

  1. A) pré-eclâmpsia grave; anti-hipertensivo de ação rápida.
  2. B) pré-eclâmpsia grave; sulfato de magnésio.
  3. C) eclâmpsia; benzodiazepínico.
  4. D) eclâmpsia; fenitoína.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave: PA ≥ 160/110 ou sintomas (cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica). Conduta: Sulfato de Magnésio.

Resumo-Chave

A paciente apresenta sintomas de pré-eclâmpsia grave (cefaleia, visão embaçada, vômitos, PA 140x90 mmHg com edema), mesmo com PA não tão elevada, a presença de sintomas de gravidade define o quadro. A conduta inicial é a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma complicação grave da gravidez, caracterizada por hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação, podendo evoluir para formas graves com disfunção de múltiplos órgãos. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, exigindo reconhecimento e manejo rápidos. A paciente do caso apresenta sintomas neurológicos (cefaleia, visão embaçada, vômitos) que, associados à hipertensão e edema, configuram um quadro de pré-eclâmpsia grave, mesmo que a PA não atinja os níveis mais altos de 160/110 mmHg. A fisiopatologia envolve uma placentação anormal que leva à disfunção endotelial materna generalizada, resultando em vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. O diagnóstico baseia-se na tríade hipertensão, proteinúria e, nas formas graves, sintomas ou sinais de disfunção orgânica. A diferenciação entre pré-eclâmpsia e outras causas de hipertensão na gravidez é crucial. O tratamento da pré-eclâmpsia grave visa prevenir complicações maternas, como eclâmpsia e síndrome HELLP, e otimizar o bem-estar fetal. O sulfato de magnésio é a pedra angular da profilaxia e tratamento das convulsões. O controle da pressão arterial e, em casos de gestação a termo ou deterioração materna/fetal, a interrupção da gravidez são componentes essenciais da conduta.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia grave é diagnosticada pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas de gestação) e proteinúria, associada a um ou mais critérios de gravidade, como PA ≥ 160/110 mmHg, cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, plaquetopenia, disfunção hepática ou renal, ou edema pulmonar.

Por que o sulfato de magnésio é a conduta de escolha na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é o agente de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante, estabilizando as membranas neuronais e reduzindo a excitabilidade cerebral, sendo superior a outros anticonvulsivantes para essa finalidade.

Qual a diferença entre pré-eclâmpsia grave e eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia grave é a forma mais severa da doença hipertensiva gestacional, caracterizada por hipertensão e proteinúria com sinais de disfunção de órgãos-alvo. A eclâmpsia é a ocorrência de convulsões tônico-clônicas generalizadas em uma gestante com pré-eclâmpsia, não atribuíveis a outras causas.

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