Pré-eclâmpsia Grave: Manejo e Conduta Obstétrica

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 22 anos, primigesta, gestação de 35 semanas queixando cefaleia e epigastralgia. Ao exame: hidratada, corada, PA: 160x110mmHg, BCF: 140bpm. Nesse caso, a conduta MAIS indicada para a paciente é o de: 

Alternativas

  1. A) Administrar antibiótico venoso para o feto, solicitar vaga em UTI neonatal e preparar para cesárea de urgência.
  2. B) Avaliar a vitalidade fetal, propedeutica HELLP, indução para parto normal, com administração de hidralazina e sulfato para a paciente.
  3. C) Induzir o parto normal, com administração de antibiótio venoso para o feto, hidralazina e sulfato de magnésio para a paciente.
  4. D) Avaliar vitalidade fetal, propedêutica HELLP, administração de hidralazina para a paciente e cesariana de urgência.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg + sintomas) em 35 semanas → estabilizar mãe (anti-hipertensivo, sulfato Mg), avaliar feto, induzir parto.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro de pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg com sintomas). Em gestações ≥ 34 semanas, a conduta é a interrupção da gravidez. Antes da interrupção, é crucial estabilizar a mãe com anti-hipertensivos (hidralazina) e sulfato de magnésio para profilaxia de convulsões, além de avaliar a vitalidade fetal. A indução do parto vaginal é preferível se não houver contraindicações obstétricas.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia grave é uma complicação séria da gravidez, caracterizada por hipertensão arterial (PA ≥ 160/110 mmHg) e proteinúria, frequentemente acompanhada de sintomas como cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica e alterações laboratoriais (trombocitopenia, elevação de enzimas hepáticas), que indicam disfunção de órgãos-alvo. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. O manejo da pré-eclâmpsia grave visa estabilizar a condição materna e interromper a gravidez no momento mais oportuno. Em gestações com 34 semanas ou mais, a interrupção da gravidez é a conduta definitiva. Antes da interrupção, é crucial controlar a pressão arterial com anti-hipertensivos (como hidralazina ou labetalol) e administrar sulfato de magnésio para prevenir ou tratar as convulsões (eclâmpsia). A via de parto preferencial é a vaginal, através da indução, desde que não haja contraindicações obstétricas ou deterioração rápida das condições maternas ou fetais. A cesariana é reservada para falha de indução, sofrimento fetal agudo ou outras indicações obstétricas. A avaliação da vitalidade fetal e a propedêutica para Síndrome HELLP são etapas essenciais no manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

Os critérios incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, proteinúria, e/ou sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, oligúria, edema pulmonar, ou alterações laboratoriais (trombocitopenia, elevação de enzimas hepáticas, creatinina sérica).

Qual a função do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia?

O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões (eclâmpsia) em pacientes com pré-eclâmpsia grave, agindo como um anticonvulsivante e neuroprotetor.

Quando a interrupção da gravidez é indicada na pré-eclâmpsia grave?

A interrupção da gravidez é indicada em todas as gestações com pré-eclâmpsia grave a partir de 34 semanas. Antes de 34 semanas, a conduta pode ser expectante em casos selecionados, mas sempre com monitoramento rigoroso.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo