Pré-eclâmpsia Grave: Manejo da Crise Hipertensiva e Eclâmpsia

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta, na 31a semana de gestação chega em Unidade de Pronto Atendimento referindo dor de cabeça há dois dias. Nega queixas de turvação visual e epigastralgia. Refere prénatal sem intercorrências até há 2 semanas quando apresentou elevação dos níveis pressóricos. Exame físico: regular estado geral, mucosas coradas, edema de mãos e tornozelos. PA: 160x110mmHg. Altura uterina compatível com a idade gestacional, feto único, cefálico, BCF de 136 bpm e atividade uterina ausente. Qual é a prescrição mais adequada neste momento?

Alternativas

  1. A) Hidralazina.
  2. B) Metildopa.
  3. C) Nifedipina.
  4. D) Sulfato de magnésio.

Pérola Clínica

PA ≥ 160x110 mmHg em gestante com pré-eclâmpsia → Sulfato de magnésio para profilaxia de convulsão.

Resumo-Chave

A gestante apresenta critérios de pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160x110 mmHg). Nesses casos, a prioridade é a prevenção de convulsões (eclâmpsia) com sulfato de magnésio, mesmo na ausência de sintomas neurológicos francos, devido ao alto risco.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gravidez, caracterizada por hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação. A pré-eclâmpsia grave é definida por níveis pressóricos elevados (PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg) ou pela presença de sinais e sintomas de disfunção de órgãos-alvo, como cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica, edema pulmonar, entre outros. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal. O caso clínico descreve uma gestante com 31 semanas, PA de 160x110 mmHg e cefaleia, configurando um quadro de pré-eclâmpsia grave. Nesses casos, a principal preocupação é a prevenção da eclâmpsia (convulsões). O sulfato de magnésio é o agente de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas, demonstrando superioridade sobre outros anticonvulsivantes. Embora o controle pressórico seja importante, a prioridade inicial na pré-eclâmpsia grave é a estabilização da paciente e a prevenção de complicações neurológicas. Anti-hipertensivos como hidralazina, labetalol ou nifedipina são usados para reduzir a pressão arterial de forma controlada, mas o sulfato de magnésio atua especificamente na proteção cerebral contra as convulsões.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia grave?

Pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas aferições com 15 minutos de intervalo, ou pela presença de sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais, dor epigástrica, ou alterações laboratoriais significativas.

Por que o sulfato de magnésio é a prescrição mais adequada neste caso?

O sulfato de magnésio é o medicamento de escolha para a profilaxia e tratamento da eclâmpsia em gestantes com pré-eclâmpsia grave, pois reduz significativamente o risco de convulsões, sendo mais importante que o controle pressórico imediato.

Quais são os principais anti-hipertensivos utilizados na crise hipertensiva da gravidez?

Os principais anti-hipertensivos para crise hipertensiva na gravidez são hidralazina intravenosa, labetalol intravenoso e nifedipina oral. A escolha depende da situação clínica e da disponibilidade, mas o sulfato de magnésio tem papel distinto na prevenção de convulsões.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo