Pré-eclâmpsia Grave: Sinais, Sintomas e Diagnóstico

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2015

Enunciado

Gestante de 20 anos, G1P0, chega ao PS com gestação de 26 semanas, nega doenças e medicações, fazendo uso de vitaminas da gestante corretamente, refere que vem sentindo cefaleia frontal e holocraniana há 3 dias e dores em epigastro, com inchaço em membros superiores e face, às vezes vê alguns pontinhos luminosos. Ao exame: AU = 25 cm, BCF = 140 bpm, PA = 150 x100 mmHg, edema de ++ / 4+ em face. Qual é o diagnóstico MAIS provável?

Alternativas

  1. A) Hipertensão Arterial Sistêmica.
  2. B) Pré-Eclâmpsia Leve.
  3. C) Crise de Enxaqueca.
  4. D) Pré-Eclâmpsia Grave.

Pérola Clínica

PA ≥ 160/110 mmHg ou ≥ 140/90 mmHg + sintomas graves (cefaleia, epigastralgia, escotomas) = Pré-eclâmpsia Grave.

Resumo-Chave

A paciente apresenta hipertensão (PA 150x100 mmHg) após 20 semanas de gestação, associada a sintomas de gravidade como cefaleia, dor epigástrica, edema generalizado e fenômenos visuais (escotomas cintilantes). Esses achados são altamente sugestivos de pré-eclâmpsia grave, mesmo sem o valor da proteinúria, que é um critério diagnóstico mas não essencial para a classificação de gravidade na presença de sintomas.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, afetando cerca de 2-8% das gestações. Caracteriza-se por hipertensão de início recente e proteinúria após 20 semanas de gestação, ou hipertensão associada a disfunção de órgãos-alvo. A forma grave da doença exige atenção imediata devido ao risco de complicações como eclâmpsia, síndrome HELLP e descolamento prematuro de placenta. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal que leva à isquemia placentária e à liberação de fatores antiangiogênicos na circulação materna, resultando em disfunção endotelial sistêmica. Os sinais e sintomas de gravidade, como cefaleia, distúrbios visuais e dor epigástrica, refletem o comprometimento de múltiplos órgãos. A pressão arterial elevada (≥ 160/110 mmHg) ou a presença desses sintomas, mesmo com PA mais baixa, classificam a condição como pré-eclâmpsia grave. O manejo da pré-eclâmpsia grave visa prevenir complicações maternas (eclâmpsia, AVC) e otimizar o bem-estar fetal. Inclui internação, monitorização intensiva, uso de sulfato de magnésio para neuroproteção e prevenção de convulsões, e controle da pressão arterial com anti-hipertensivos. A decisão sobre o momento do parto é crucial e depende da idade gestacional e da estabilidade materno-fetal, sendo a interrupção da gestação a única cura definitiva.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é diagnosticada pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões, com 4h de intervalo, após 20 semanas de gestação) e proteinúria (≥ 300 mg/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3). Na ausência de proteinúria, pode ser diagnosticada com hipertensão e disfunção de órgãos-alvo.

Quais sintomas indicam gravidade na pré-eclâmpsia?

Sintomas de gravidade na pré-eclâmpsia incluem cefaleia persistente, distúrbios visuais (escotomas, diplopia), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, edema pulmonar, oligúria, e alterações laboratoriais como plaquetopenia, elevação de transaminases ou creatinina sérica.

Qual a conduta inicial para uma gestante com suspeita de pré-eclâmpsia grave?

A conduta inicial para pré-eclâmpsia grave inclui internação hospitalar, monitorização rigorosa da PA e do bem-estar fetal, exames laboratoriais para avaliar função renal, hepática e coagulação, e administração de sulfato de magnésio para prevenção de convulsões (eclâmpsia). O controle da PA com anti-hipertensivos também é fundamental.

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