Pré-eclâmpsia Grave: Conduta e Manejo após 34 Semanas

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

A pré-eclâmpsia é uma doença multissistêmica que costuma ocorrer na segunda metade da gestação, sendo a doença mais importante na obstetrícia e a maior causa de mortalidade materna e perinatal. Sobre essa doença, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) A doença é caracterizada pela hipertensão e proteinúria, com aumento da pressão arterial, associada à creatinina elevada (maior que 1,1mg/dl) e na ausência da proteinúria é considerada hipertensão gestacional.
  2. B) A pré-eclâmpsia com restrição de crescimento intrauterino está associada somente a disfunções epiteliais maternos e história familiar, não tendo influência das artérias placentárias ou ao sistema imunológico.
  3. C) A síndrome HELLP pode se desenvolver gradativamente, com a piora da proteinúria, sendo critério prognóstico para a gestante.
  4. D) O tratamento da pré-eclâmpsia na forma grave, com mais de 34 semanas de gestação, consiste em internação hospitalar para estabilização do quadro com sulfato de magnésio e interrupção da gravidez.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave > 34 sem → Estabilizar (MgSO4) + Interrupção da gestação.

Resumo-Chave

A pré-eclâmpsia grave após 34 semanas indica o término da gestação após estabilização materna, visando prevenir complicações como eclâmpsia e descolamento de placenta.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia (PE) é uma síndrome multissistêmica definida pela hipertensão arterial surgida após a 20ª semana de gestação associada à proteinúria ou disfunção de órgãos-alvo. Sua fisiopatologia envolve uma falha na segunda onda de migração trofoblástica, resultando em isquemia placentária e liberação de fatores antiangiogênicos na circulação materna, causando lesão endotelial generalizada. O manejo depende da idade gestacional e da presença de sinais de gravidade. Na PE grave antes das 34 semanas, pode-se tentar o manejo expectante em centros de referência para ganhar maturidade pulmonar fetal, desde que haja estabilidade materna e fetal. Contudo, após as 34 semanas, o risco de complicações maternas graves (como AVC, descolamento prematuro de placenta e eclâmpsia) supera os benefícios da prematuridade tardia, sendo a interrupção da gestação a conduta definitiva após a estabilização com anti-hipertensivos e sulfato de magnésio.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de gravidade na pré-eclâmpsia?

A pré-eclâmpsia é considerada grave na presença de: Pressão Arterial Sistólica ≥ 160 mmHg ou Diastólica ≥ 110 mmHg; sinais de iminência de eclâmpsia (cefaleia, distúrbios visuais, dor epigástrica); edema agudo de pulmão; disfunção renal (creatinina > 1,1 mg/dL); disfunção hepática (transaminases 2x o normal); trombocitopenia (< 100.000/mm³); ou presença de Síndrome HELLP.

Como deve ser administrado o Sulfato de Magnésio?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para prevenção e tratamento de convulsões na eclâmpsia. Os esquemas mais comuns são o de Zuspan (ataque IV 4g + manutenção IV 1-2g/h) e o de Pritchard (ataque 4g IV + 10g IM + manutenção 5g IM a cada 4h). É essencial monitorar a diurese, os reflexos patelares e a frequência respiratória para evitar intoxicação por magnésio.

Qual a via de parto indicada na pré-eclâmpsia grave?

A pré-eclâmpsia por si só não é indicação absoluta de cesariana. A via de parto deve ser decidida com base em critérios obstétricos, condições cervicais (índice de Bishop) e vitalidade fetal. Se a paciente estiver estável e o feto apresentar boa reserva, a indução do parto vaginal é preferível, reservando a cesariana para urgências ou falha de indução.

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