CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020
Gestante, primigesta, 16 anos, com idade gestacional ecográfica de 37 semanas e 1 dia. Não sabe informar a data da última menstruação. Chega ao serviço de urgência com epigastralgia, turvação visual, dor pélvica e sangramento vaginal moderado. PA: 170 x 120 mmHg. Nega uso de anti-hipertensivo ou outro episódio de elevação da pressão arterial anteriormente. BCF: inaudível ao sonar, útero hipertônico. Os diagnósticos mais prováveis neste caso são
Gestante com hipertensão grave + epigastralgia + sangramento vaginal + útero hipertônico + BCF inaudível → Pré-eclâmpsia grave e DDP.
A associação de hipertensão grave, sintomas como epigastralgia e turvação visual (indicativos de pré-eclâmpsia grave) com sangramento vaginal, útero hipertônico e sofrimento fetal agudo (BCF inaudível) é altamente sugestiva de descolamento prematuro de placenta (DDP) em um quadro de pré-eclâmpsia grave, configurando uma emergência obstétrica.
A pré-eclâmpsia grave e o descolamento prematuro de placenta (DDP) são duas das mais temidas emergências obstétricas, frequentemente coexistindo e elevando exponencialmente os riscos materno-fetais. A pré-eclâmpsia grave é uma síndrome hipertensiva da gestação que pode levar a disfunção de múltiplos órgãos, enquanto o DDP é a separação prematura da placenta da parede uterina, resultando em sangramento e comprometimento fetal. A rápida identificação desses quadros é crucial para a sobrevida. No caso apresentado, a gestante jovem com 37 semanas e hipertensão grave (PA: 170 x 120 mmHg), associada a sintomas como epigastralgia e turvação visual, aponta fortemente para pré-eclâmpsia grave. A presença de dor pélvica, sangramento vaginal moderado, útero hipertônico e BCF inaudível são sinais clássicos e alarmantes de DDP. O útero hipertônico e a ausência de BCF indicam sofrimento fetal agudo e hemorragia retroplacentária, que é uma característica do DDP. A conduta para esses quadros é a estabilização materna, que inclui o controle da pressão arterial e a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio, e a interrupção imediata da gestação, geralmente por cesariana, devido ao risco iminente de óbito fetal e complicações maternas graves, como coagulopatia de consumo e choque hemorrágico. O prognóstico depende diretamente da agilidade no diagnóstico e na intervenção.
A pré-eclâmpsia grave é caracterizada por pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, proteinúria, e sintomas como cefaleia persistente, distúrbios visuais (turvação, escotomas), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, edema pulmonar e disfunção hepática ou renal.
O descolamento prematuro de placenta (DDP) tipicamente apresenta sangramento vaginal escuro, dor abdominal intensa, útero hipertônico e sofrimento fetal. Já a placenta prévia cursa com sangramento vaginal vermelho vivo, indolor e útero relaxado, sem sinais de sofrimento fetal agudo.
A conduta inicial é estabilização da paciente (controle da PA, sulfato de magnésio para prevenção de eclâmpsia), avaliação do bem-estar fetal e, na maioria dos casos, interrupção imediata da gestação por cesariana devido ao risco materno-fetal iminente.
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