Pré-eclâmpsia Grave: Manejo Imediato e Profilaxia da Eclâmpsia

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 23 anos, no curso de 34 semanas de idade gestacional. Tem diagnóstico de pré-eclâmpsia e faz uso de anti-hipertensivos regularmente. Refere ter apresentado episódio de náuseas e tonturas há 2 horas e veio à maternidade para avaliação. No momento, está assintomática e relata boa movimentação fetal. Nega epigastralgia e escotomas visuais. Ao exame: TA 170 x 120 mmHg (repetida e confirmada após 15 minutos em decúbito lateral esquerdo), FC 100 bpm, edema de membros inferiores +++/4+, altura uterina 32 cm, BCF 132 bpm, dinâmica uterina ausente. A conduta indicada nesta situação é:

Alternativas

  1. A) Aumentar a dosagem das medicações anti-hipertensivas e agendar retorno em 48h para reavaliação.
  2. B) Iniciar hidralazina por via endovenosa e, após normalização dos níveis pressóricos, liberar a paciente para o domicílio.
  3. C) Internar a paciente e iniciar protocolo para iminência de eclampsia com sulfato de magnésio endovenoso.
  4. D) Iniciar indução do trabalho de parto com misoprostol e ocitocina e, se inefetivo após 12 horas, indicar resolução por cesariana.

Pérola Clínica

Pré-eclâmpsia grave (TA ≥ 160/110 mmHg) → Internação + Sulfato de Magnésio (prevenção eclampsia).

Resumo-Chave

Uma pressão arterial de 170x120 mmHg em uma gestante com pré-eclâmpsia, mesmo assintomática para outros sinais de gravidade, configura pré-eclâmpsia grave. A conduta imediata é a internação e o início do sulfato de magnésio para prevenir convulsões (eclâmpsia).

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg após 20 semanas de gestação) e proteinúria, ou hipertensão com sinais de disfunção orgânica. A pré-eclâmpsia grave é definida por critérios como pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, ou a presença de sintomas e sinais de disfunção de órgãos-alvo, como trombocitopenia, insuficiência renal, comprometimento hepático, edema pulmonar ou sintomas neurológicos/visuais. No caso apresentado, a paciente tem uma pressão arterial de 170x120 mmHg, o que por si só já configura pré-eclâmpsia grave, independentemente da ausência de outros sintomas como epigastralgia ou escotomas. A gravidade da hipertensão é um fator de risco significativo para eclâmpsia e outras complicações maternas e fetais. A conduta imediata para pré-eclâmpsia grave é a internação hospitalar para monitorização intensiva e o início do protocolo de prevenção de eclâmpsia com sulfato de magnésio endovenoso. O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha. O controle da pressão arterial também é crucial, mas a prioridade é a prevenção das convulsões. A resolução da gestação é o tratamento definitivo, mas a estabilização materna precede a decisão sobre o parto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de pré-eclâmpsia grave?

Os critérios para pré-eclâmpsia grave incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, trombocitopenia, insuficiência renal, comprometimento da função hepática, edema pulmonar, sintomas visuais ou cerebrais, ou dor epigástrica/quadrante superior direito.

Por que o sulfato de magnésio é usado na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é o agente de escolha para a profilaxia e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, estabilizando as membranas neuronais e reduzindo a excitabilidade cerebral.

Qual a importância da internação hospitalar na pré-eclâmpsia grave?

A internação hospitalar é fundamental na pré-eclâmpsia grave para monitorização contínua da mãe e do feto, controle rigoroso da pressão arterial, administração de medicações como sulfato de magnésio e planejamento da resolução da gestação.

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