SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Uma paciente de 30 anos de idade, grávida de 36 semanas, apresenta-se ao Pronto-Socorro com queixas de cefaleia persistente e visão turva. Durante a avaliação, verifica-se PA: 160x105mmHg e a urina de 24 horas revela 4g de proteína. A ultrassonografia obstétrica realizada identifica feto com crescimento adequado e oligoidrâmnio. O médico assistente diagnostica pré-eclâmpsia com critérios de gravidade ou deterioração.Indique, para este caso, o momento ideal para interrupção da gestação com parto:
Pré-eclâmpsia grave > 34 sem → Estabilizar (PA + MgSO4) e indicar parto.
Em gestações acima de 34 semanas com pré-eclâmpsia e critérios de gravidade, a conduta é a estabilização materna (controle pressórico e profilaxia de convulsões) seguida da interrupção da gestação.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia placentária que afeta cerca de 5-10% das gestações. O manejo depende fundamentalmente da idade gestacional e da presença de sinais de gravidade. Quando diagnosticada antes das 34 semanas sem sinais de deterioração, pode-se considerar o manejo expectante em centros terciários. No entanto, após 34 semanas, a presença de critérios de gravidade impõe a interrupção. O foco terapêutico imediato é a prevenção da eclâmpsia com sulfato de magnésio (esquema de Zuspan ou Pritchard) e o controle da hipertensão grave para evitar lesões de órgãos-alvo. A interrupção da gestação é a única 'cura' definitiva, mas deve ser feita de forma planejada após a estabilização clínica da gestante.
A pré-eclâmpsia é considerada grave quando apresenta um ou mais dos seguintes critérios: pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg (em duas medidas com intervalo de 4h); trombocitopenia (< 100.000/mm³); disfunção hepática (transaminases o dobro do normal ou dor persistente em hipocôndrio direito/epigástrio); insuficiência renal progressiva (creatinina > 1,1 mg/dL); edema agudo de pulmão; ou sintomas cerebrais/visuais novos (cefaleia, escotomas, turvação visual). A proteinúria maciça isolada (> 5g) não é mais considerada critério de gravidade isolado por algumas diretrizes, mas indica vigilância estrita.
A estabilização materna é crucial para reduzir a morbimortalidade. O controle da crise hipertensiva (com hidralazina, labetalol ou nifedipina) previne complicações como o acidente vascular cerebral hemorrágico. Simultaneamente, a administração de sulfato de magnésio é mandatória para a profilaxia de crises convulsivas (eclâmpsia). Realizar o parto em uma paciente instável, com níveis pressóricos muito elevados ou sem proteção neurológica, aumenta significativamente o risco de complicações graves durante o procedimento cirúrgico ou o trabalho de parto.
A pré-eclâmpsia, por si só, não é uma indicação absoluta de cesariana. A via de parto deve ser decidida com base em critérios obstétricos tradicionais, como a estática fetal, as condições do colo uterino (índice de Bishop) e a vitalidade fetal. Se a paciente estiver estável e houver condições para indução do parto vaginal, esta pode ser tentada, especialmente em gestações mais avançadas. A cesariana é reservada para casos de deterioração materna ou fetal rápida, falha na indução ou outras indicações obstétricas clássicas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo