Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Primigesta com 23 anos procura o pronto-socorro por apresentar dor de cabeça e alterações visuais há 3 horas; ela está grávida de 35 semanas. No seu cartão de pré-natal, sua última consulta foi com 32 semanas, e estava com pressão normal. Ela refere que, nas últimas 3 semanas, ganhou muito peso. Ao exame, a PA era de 140 x 90 mmHg, AU 32 cm, FCF 136 bpm, tônus normal, apresentação pélvica e sem dinâmica de trabalho de parto. MMII edema de ++, colo impérvio. É correto, neste caso,
Gestante com PA ≥ 140/90 mmHg + sintomas neurológicos (cefaleia, alterações visuais) → Pré-eclâmpsia grave, iniciar Sulfato de Magnésio para profilaxia de eclampsia.
A paciente apresenta sinais e sintomas de pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 140/90 mmHg, cefaleia, alterações visuais, edema e ganho de peso súbito). A presença de sintomas neurológicos indica gravidade e a necessidade imediata de profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio, conforme o esquema de Zuspan.
A pré-eclâmpsia é uma complicação grave da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria (ou disfunção de órgão-alvo) após 20 semanas de gestação. A forma grave da doença, como no caso apresentado, exige reconhecimento e intervenção imediatos devido ao alto risco de eclampsia, uma emergência obstétrica que pode levar a convulsões maternas e desfechos adversos para mãe e feto. A fisiopatologia da pré-eclâmpsia envolve uma placentação anormal que resulta em disfunção endotelial sistêmica, levando a vasoconstrição, aumento da permeabilidade vascular e ativação plaquetária. Os sintomas neurológicos, como cefaleia e alterações visuais, são indicativos de envolvimento do sistema nervoso central e sinalizam a progressão para a forma grave da doença, aumentando o risco de eclampsia. O ganho de peso súbito e o edema são manifestações da retenção hídrica e aumento da permeabilidade capilar. O manejo da pré-eclâmpsia grave inclui o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (como hidralazina ou labetalol) e, crucialmente, a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. O esquema de Zuspan é amplamente utilizado, com uma dose de ataque intravenosa seguida de infusão contínua. A decisão de iniciar o sulfato de magnésio é baseada na presença de critérios de gravidade. O monitoramento materno e fetal é contínuo, e a interrupção da gestação é frequentemente a única cura definitiva, sendo planejada de acordo com a idade gestacional e a estabilidade clínica.
Pré-eclâmpsia grave é diagnosticada por PA sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg, ou PA ≥ 140/90 mmHg associada a sintomas como cefaleia persistente, alterações visuais, dor epigástrica, plaquetopenia, elevação de enzimas hepáticas, insuficiência renal ou edema pulmonar.
O sulfato de magnésio é o anticonvulsivante de escolha para profilaxia e tratamento da eclampsia devido à sua eficácia comprovada na redução do risco de convulsões, com um perfil de segurança favorável quando monitorado adequadamente.
Os esquemas mais comuns são o de Zuspan (dose de ataque IV + manutenção IV) e o de Sibai (dose de ataque IV + manutenção IM). Ambos visam atingir níveis terapêuticos de magnésio para prevenir convulsões.
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