Pré-Eclâmpsia Grave: Diagnóstico e Manejo Urgente na Gestação

HSD - Hospital São Domingos (MA) — Prova 2021

Enunciado

Primigesta de 30 anos, assintomática, com 27 semanas de idade gestacional, previamente sem patologias base, chega na emergência encaminhada do centro de saúde do seu bairro. Achados positivos ao exame físico: edema (2+/4+) e PA = 170x115 mmHg. Traz consigo exames laboratoriais do mesmo dia, que mostram hemograma normal; Uréia = 45; Creatinina = 1,4; AST = 30 / ALT = 25; DHL = 250. Diante do exposto, qual a conduta, provável classificação diagnóstica e terapêutica mais adequada:

Alternativas

  1. A) nternação. Pré-eclâmpsia, iniciar uso de anti-hipertensivos e avaliação da vitalidade fetal.
  2. B) Internação. Hipertensão gestacional, iniciar uso de AAS e programar cesariana.
  3. C) Tratamento ambulatorial. Não se pode fechar diagnóstico de pré-eclampsia, devido a ausência de proteinúria, devendo ser iniciado uso de anti-hipertensivos e avaliação da vitalidade fetal.
  4. D) Internação. Pré-eclâmpsia, devendo-se aguardar proteinúria de 24h para início do uso do anti-hipertensivo e avaliação da vitalidade fetal.
  5. E) Tratamento ambulatorial. Pré-eclâmpsia leve, devendo-se iniciar o uso de anti hipertensivos e solicitar orientar retorno em 15 dias.

Pérola Clínica

PA ≥160/110 mmHg ou disfunção orgânica em gestante >20 sem → Pré-eclâmpsia grave = internação + anti-hipertensivo.

Resumo-Chave

A paciente apresenta hipertensão grave (PA 170x115 mmHg) e disfunção renal (creatinina 1,4 mg/dL) após 20 semanas de gestação, caracterizando pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A conduta imediata é internação, controle da pressão arterial com anti-hipertensivos e avaliação da vitalidade fetal. A proteinúria não é mais um critério obrigatório para o diagnóstico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada pelo desenvolvimento de hipertensão e proteinúria (ou sinais de disfunção de órgão-alvo) após a 20ª semana de gestação. É uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente. A classificação em "com sinais de gravidade" é crucial para o manejo, pois indica risco iminente de complicações como eclâmpsia, síndrome HELLP e descolamento prematuro de placenta. No caso apresentado, a gestante primigesta com 27 semanas apresenta PA de 170x115 mmHg e creatinina de 1,4 mg/dL. A hipertensão grave (PA ≥ 160/110 mmHg) por si só já configura pré-eclâmpsia com sinais de gravidade. A creatinina elevada (>1,1 mg/dL) confirma disfunção renal, um dos critérios para gravidade. A ausência de proteinúria não exclui o diagnóstico de pré-eclâmpsia grave, conforme as diretrizes atuais. A conduta imediata para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é a internação hospitalar para monitoramento materno-fetal rigoroso. O tratamento inclui o controle da pressão arterial com anti-hipertensivos (como labetalol, hidralazina ou nifedipino) para prevenir AVC materno, e a profilaxia de convulsões com sulfato de magnésio. A avaliação da vitalidade fetal é essencial para determinar o momento do parto, que é a única cura definitiva para a pré-eclâmpsia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?

Pré-eclâmpsia com sinais de gravidade é diagnosticada por PA ≥ 160/110 mmHg ou PA ≥ 140/90 mmHg associada a disfunção de órgão-alvo (renal, hepática, neurológica, hematológica) ou sintomas graves como cefaleia persistente, distúrbios visuais ou dor epigástrica.

Qual a importância da creatinina elevada no diagnóstico de pré-eclâmpsia?

Uma creatinina sérica ≥ 1,1 mg/dL (ou duplicação na ausência de outra doença renal) é um critério para disfunção renal e, portanto, um sinal de gravidade na pré-eclâmpsia, indicando comprometimento renal.

Quais anti-hipertensivos são seguros e eficazes para o controle da pressão arterial na pré-eclâmpsia?

Labetalol, hidralazina e nifedipino são os anti-hipertensivos de primeira linha mais utilizados para o controle agudo da hipertensão grave na pré-eclâmpsia, visando reduzir a PA e prevenir complicações maternas.

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