Pré-eclâmpsia Grave: Manejo da Iminência de Eclâmpsia

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta, 17 anos, com pré-natal de baixo risco e 34 semanas de idade gestacional. Dá entrada no pronto atendimento com queixa de cefaleia de início súbito associada a edema generalizado, dor epigástrica e alterações visuais. A pressão arterial era de 160 x 110 mmHg na admissão, sendo medicada com hidralazina intravenosa a cada 15 a 20 minutos. A paciente manteve o mesmo quadro na reavaliação de 2 horas após. Realizados exames, tais como hemograma, enzimas hepáticas, ureia e creatinina normais com aumento de ácido úrico. O feto apresentava-se com nota 10 no perfil biofísico fetal. Assinale a alternativa que apresenta a conduta adequada para o caso.

Alternativas

  1. A) A paciente deve ser hipertensa crónica e indica-se o bloqueador de canal de cálcio.
  2. B) Estamos diante de uma iminência de eclampsia, impondo-se sulfato de magnésio e resolução da gestação.
  3. C) Será necessário realizar a proteinúria de 24 horas para confirmação diagnóstica.
  4. D) Realizar a corticoterapia antenatal seguida da indução do parto.
  5. E) Internar a paciente, controlar a pressão arterial com três drogas anti-hipertensivas e seguir até 40 semanas.

Pérola Clínica

Primigesta 34s + PA ≥160/110 + cefaleia/dor epigástrica/visuais → Pré-eclâmpsia grave/iminência de eclâmpsia = Sulfato de magnésio + resolução da gestação.

Resumo-Chave

A presença de hipertensão grave (PA ≥ 160/110 mmHg) em gestante com sintomas como cefaleia, dor epigástrica e alterações visuais, mesmo com proteinúria não confirmada, configura pré-eclâmpsia com sinais de gravidade ou iminência de eclâmpsia, exigindo sulfato de magnésio para neuroproteção e interrupção da gestação.

Contexto Educacional

A pré-eclâmpsia é uma síndrome multissistêmica de etiologia desconhecida, caracterizada por hipertensão de início após 20 semanas de gestação, associada a proteinúria ou a sinais de disfunção de órgãos-alvo. A pré-eclâmpsia grave, ou com sinais de gravidade, é uma condição que exige atenção imediata devido ao alto risco de complicações maternas e fetais, incluindo eclâmpsia, síndrome HELLP, acidente vascular cerebral e óbito. A incidência é maior em primigestas, adolescentes e mulheres com comorbidades. O caso clínico apresenta uma gestante com 34 semanas, hipertensão grave (160x110 mmHg) e sintomas como cefaleia, edema generalizado, dor epigástrica e alterações visuais, que são clássicos sinais de iminência de eclâmpsia. A refratariedade à hidralazina reforça a gravidade. Embora a proteinúria de 24 horas ainda não esteja disponível, a presença desses sintomas e a hipertensão grave são suficientes para o diagnóstico de pré-eclâmpsia com sinais de gravidade e a necessidade de intervenção urgente. A conduta adequada para pré-eclâmpsia grave com iminência de eclâmpsia é a administração de sulfato de magnésio para neuroproteção e prevenção de convulsões, seguida da resolução da gestação. Em gestações com 34 semanas ou mais, a interrupção é geralmente indicada após a estabilização materna. A corticoterapia antenatal (betametasona ou dexametasona) deve ser considerada se a idade gestacional for inferior a 34 semanas e houver tempo hábil para completar o esquema, visando a maturação pulmonar fetal, mas não deve atrasar a resolução em casos de instabilidade materna.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para pré-eclâmpsia com sinais de gravidade?

Os critérios incluem pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg em duas ocasiões, trombocitopenia (<100.000/µL), insuficiência renal (creatinina >1,1 mg/dL ou duplicação), comprometimento da função hepática (enzimas hepáticas 2x o normal), edema pulmonar, ou sintomas cerebrais/visuais (cefaleia persistente, escotomas, diplopia).

Qual o papel do sulfato de magnésio na pré-eclâmpsia grave?

O sulfato de magnésio é a droga de escolha para a prevenção e tratamento das convulsões eclâmpticas. Ele atua como um anticonvulsivante e neuroprotetor, reduzindo a excitabilidade neuronal e a vasoconstrição cerebral.

Quando a resolução da gestação é indicada na pré-eclâmpsia grave?

A resolução da gestação é indicada na pré-eclâmpsia grave quando a idade gestacional é ≥ 34 semanas, ou em qualquer idade gestacional se houver deterioração materna ou fetal, como eclâmpsia, HELLP, edema pulmonar, insuficiência renal aguda, descolamento de placenta ou sofrimento fetal.

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