FAA/UNIFAA - Hospital Escola Luiz Gioseffi Jannuzzi (RJ) — Prova 2015
Paciente de 37 anos, previamente hígida, gesta 4, para 3, cesárea 0, com 30 semanas de gestação, realizando acompanhamento de pré-natal de baixo risco na unidade básica de saúde. Apresentou há 10 dias quadro de edema pré-tibial ++/IV, com PA aferida em 140 x 95mmHg. O Médico de Família e Comunidade solicitou exames e aferição da PA diariamente. Paciente retorna hoje com queixa de cefaleia, escotomas cintilantes e epigastralgia. Monitoramento de PA sempre acima de 140 x 90 mmHg. Apresenta PA= 150 x 110 mmHg e nos exames laboratoriais proteinúria de 24 hs de 3,5 g, creatinina sérica 2,2 mg/dL, TGO 120, TGP 110, LDH aumentada, plaquetas 80.000/mm3. Diante do quadro clínico, o diagnóstico mais provável é:
Pré-eclâmpsia grave = PA ≥ 160/110 ou ≥ 140/90 + proteinúria + sinais de gravidade (cefaleia, escotomas, epigastralgia, disfunção orgânica).
A paciente apresenta hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg), proteinúria significativa (3,5g/24h) e múltiplos sinais de gravidade, incluindo sintomas neurológicos (cefaleia, escotomas), epigastralgia, disfunção hepática (TGO/TGP elevadas), disfunção renal (creatinina elevada) e trombocitopenia. Este quadro é diagnóstico de pré-eclâmpsia grave, que pode evoluir para eclâmpsia ou Síndrome HELLP.
A pré-eclâmpsia é uma das principais causas de morbimortalidade materna e perinatal globalmente, caracterizada pelo desenvolvimento de hipertensão e proteinúria após 20 semanas de gestação em mulheres previamente normotensas. A distinção entre pré-eclâmpsia leve e grave é crucial para o manejo clínico e prognóstico. O caso apresentado ilustra um quadro clássico de pré-eclâmpsia grave. O diagnóstico de pré-eclâmpsia grave é estabelecido pela presença de hipertensão (PA ≥ 140/90 mmHg em duas ocasiões com 4 horas de intervalo ou PA ≥ 160/110 mmHg em uma única ocasião) associada à proteinúria (≥ 0,3 g em 24 horas ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3) e/ou sinais de disfunção de órgão-alvo. Os sinais de gravidade incluem sintomas neurológicos (cefaleia, escotomas visuais), dor epigástrica ou em quadrante superior direito (indicando comprometimento hepático), disfunção renal (creatinina sérica > 1,1 mg/dL ou duplicação da creatinina basal), disfunção hepática (elevação de transaminases > 2x o normal), trombocitopenia (< 100.000/mm³) e edema pulmonar. A paciente do caso apresenta múltiplos critérios de gravidade: PA elevada (150x110 mmHg), proteinúria significativa (3,5g/24h), sintomas neurológicos (cefaleia, escotomas), epigastralgia, disfunção hepática (TGO/TGP elevadas), disfunção renal (creatinina 2,2 mg/dL) e trombocitopenia (80.000/mm³). Este conjunto de achados é altamente sugestivo de pré-eclâmpsia grave, com características que se sobrepõem à Síndrome HELLP (Hemólise, Enzimas hepáticas elevadas, Baixas plaquetas), uma forma particularmente severa. O manejo envolve monitoramento rigoroso, controle da pressão arterial e, frequentemente, a interrupção da gestação para prevenir complicações maternas e fetais, como a eclâmpsia.
Os critérios incluem hipertensão (PA ≥ 160/110 mmHg ou ≥ 140/90 mmHg com sinais de gravidade), proteinúria (≥ 0,3g/24h ou relação proteína/creatinina ≥ 0,3), e um ou mais sinais de disfunção orgânica (disfunção renal, hepática, neurológica, hematológica, edema pulmonar).
Sintomas como cefaleia intensa, distúrbios visuais (escotomas, diplopia), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, edema pulmonar, oligúria e alterações laboratoriais (trombocitopenia, elevação de transaminases, creatinina) são indicativos de gravidade.
A Síndrome HELLP é uma forma grave de pré-eclâmpsia caracterizada por Hemólise (H), Elevação das enzimas hepáticas (EL) e Baixa contagem de plaquetas (LP). É uma complicação da pré-eclâmpsia grave, mas nem toda pré-eclâmpsia grave evolui para HELLP.
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